MXGP em Águeda: “O óleo é bom, estamos preparados” – Albano Melo (ACTIB)

Albano Melo, presidente do ACTIB, em entrevista ao Região de Águeda

“Estamos a um passo de ter cá uma estrutura até hoje nunca vista”. Albano Melo, presidente do ACTIB, promotor do GP Portugal MXGP, antecipa uma grande jornada de motocross. São 250 pilotos a competir em cinco classes, duas para o mundial e três para o europeu. O regresso do Casarão ao grande circuito está a ser vivido com paixão e emoção

P> Este regresso do mundial a Águeda tem sido uma aventura?
R> Tem sido uma aventura mas, antes de falar na aventura, tenho que agradecer ao jornal Região de Águeda. Desde o primeiro momento em que constituímos o ACTIB, já a pensar nesta aventura, acarinhou-nos. O clube tem tido várias atividades contínuas, nomeadamente a equipa de trail, que tem vindo a colaborar no motocross e nos está a ajudar todos os dias. Esta aventura começou no ano passado. Assumimos o compromisso de fazer regressar o mundial de motocross a Águeda e conseguimos. Estamos a um passo de ter cá uma estrutura até hoje nunca vista em Portugal e mesmo no calendário mundial.

P> Imagino que estivessem um pouco enferrujados…
R> Um bocado. Temos vindo a conseguir, todos os dias, incessantemente! Criámos uma estrutura de trabalho que tem percebido a mensagem e que tem sido de uma dedicação enorme. Se calhar, o comum do cidadão não entende que é preciso trabalhar um ano para uma prova; um ano todas as semanas e mais que um dia por semana. Isso está a ser conseguido, a ferrugem está praticamente toda tirada, o óleo é bom, estamos preparados!

VOLUNTARIADO COMO NENHUM OUTRO

P> Tenho a informação de que no estrangeiro se fica surpreendido com o voluntariado que existe na organização do GP Portugal em Águeda. É coisa única no circuito mundial do motocross?
R> É. Neste momento, o profissionalismo do campeonato do mundo é gigantesco. Hoje, nada se decide em Portugal em termos de motocross. Tenho ido a várias reuniões com o Jorge Silva onde calha. O voluntariado é muito importante, em Portugal sobretudo, pela envolvência do sentimento. Isso não existe na maior parte das organizações do mundo. Não é que tenham mais dinheiro que nós, não têm é a capacidade de envolver 400 pessoas a trabalhar em simultâneo, gratuitamente.

P> É essa a dimensão humana da estrutura organizativa do GP Portugal?
R> Essa estrutura mantém-se e é até superior à anterior. Temos tido tarefa intensa para conseguir todas essas pessoas, a quem agradeço. O ACTIB tem uma equipa de trabalho como não pensei que acontecesse. O clube é jovem mas tem já uma dinâmica que me deixa muito feliz.

P> O número de provas para sábado e domingo ressalta à vista: duas do mundial e mais três categorias do europeu. Ao todo, são cinco competições, duas mangas em cada competição… muito motocross! É começar às sete e meia da manhã nos dois dias. É mesmo recomeçar pela porta grande?
R> É começar por aquilo que nunca se fez a este nível em Portugal e na maior parte das organizações pelo mundo. Foi um desafio que a Youthstream nos criou. De certa forma, encostou-nos à parede, porque sabe que nós somos capazes de fazer bem.

SUSTENTABILIDADE DEPENDE DO INTERESSE DESPORTIVO

P> Os compromissos financeiros serão um sério obstáculo?
R> A prova do mundial tem um orçamento muito elevado. Uma responsabilidade financeira muito séria!

P> Que é quanto?
R> Temos um orçamento no clube de 600 mil euros. É preciso fazer que aconteça para que as pessoas que diretamente dão a sua assinatura estejam tranquilas. É possível, desde que a estrutura do clube perceba que a parte financeira deve estar ligada com a desportiva. Se houver muito interesse na vertente desportiva será mais fácil arranjar sustentabilidade financeira. Foi neste espírito que aceitámos o desafio da Youthstream. Não é fácil, a continuidade também não é fácil; mas estamos a trabalhar para a continuidade, afincadamente. Vamos ter duas reuniões antes da prova a pensar já no próximo ano. A concretização de todos os compromissos tem muito a ver com todos os que interferem na organização. Contamos com o Estado, com a Câmara Municipal – do presidente aos vereadores… sem eles seria de todo impossível – e a União de Freguesias de Águeda e Borralha, e de Recardães e Espinhel. O interregno destes anos provocou um problema gigante e obrigou a trabalho acrescido, também do ponto de vista logístico.

P> E as empresas?
R> Têm revelado confiança na organização. Temos feito um trabalho a nível nacional mas as empresas locais têm participado muitíssimo, e estamos-lhes gratos. Têm percebido que vale a pena esta aposta.

PÚBLICO VAI PRESENCIAR ESPETÁCULO ÚNICO

P> Quais são as principais inovações?
R> No circuito, as inovações são totais. É um circuito totalmente remodelado, com o contributo do maior técnico do mundo a fazer pistas de motocross. O traçado dá conforto às marcas, aos pilotos e ao público.

P> Se a pista de Águeda era uma referência, por que razão houve necessidade de fazer essa alteração?
R> Porque tudo evolui: as marcas, os pilotos e as pistas. Como a nossa esteve ao abandono, perdeu pequenas melhorias que deviam ter sido feitas ano a ano. Teve que se melhorar de vez. Foi uma aposta bastante forte, violenta financeiramente. O público vai presenciar um espetáculo único!

P> Quais são as principais vantagens para o público do novo traçado?
R> Visualmente, pois conseguem ver a pista acima dos 80 por cento. A segunda vantagem é que vamos dispor de condições para que as pessoas possam ter acesso ao que quiserem na pista toda (refeições, bares…). Vamos ter também um parque de diversões para ocupar os miúdos.

P> O paddock teve que ser ampliado.
R> Sim, dado termos 250 pilotos em competição, o que provoca a existência de cerca de 600 motas – uma coisa única até hoje, a primeira no palco do campeonato do mundo. Apostaram tudo em Águeda e isso preocupou-nos muito! O paddock foi totalmente transformado. As obras têm sido difíceis, houve necessidade de aterros, mas as obras acabaram no sábado.

P> Está garantida a competitividade com o naipe de pilotos que veem aí?
R> Este naipe de pilotos é provavelmente único. O MX1 melhorou a competitividade e há quatro ou cinco pilotos com um nível de competição único. Passaram alguns pilotos do MX2 com enorme potencial, como o atual campeão do mundo.

P> Tem havido a preocupação de captar investidores?
R> Claro que sim. Temos uma tenda VIP com refeições ao minuto, a toda a hora, e um transporte para patrocinadores, que podem dar uma volta ao circuito e ver o espetáculo em zonas de grande interesse. Pretendemos que o seu investimento tenha retorno.

(entrevista publicada no CADERNO MXGP – 16 páginas que integraram a edição e-paper e impressa do Região de Águeda de 28 de junho de 2017)
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