Natação: “As nossas condições de trabalho são pequenas”

António Morais, treinador de natação do Algés e Águeda

António Morais tem 40 anos, é de Coimbra mas reside em Águeda. É professor de educação física e treinador de natação do Sport Algés e Águeda. Fala dos objetivos e das condicionantes da piscina. Como treinador já esteve no Clube Náutico Académico de Coimbra e no Clube da Natação da Guarda.

P> Qual é o balanço que faz dos anos que está em Águeda como treinador?
R> O balanço é positivo. Já aqui estou há seis anos mas de ano para ano os resultados têm melhorado e a equipa tem aumentado. Inicialmente tínhamos atletas muito novos, que agora já começam a ficar com atitude competitiva. Alguns juniores têm obtido excelentes níveis, aspirando aos campeonatos nacionais, o que não é fácil visto que a natação é uma elite em termos de ranking: a nível nacional são apenas selecionados os 30 melhores.

P> O que veio encontrar?
R> Eu vinha de um meio diferente, vim de Coimbra, casei e fiquei a viver cá. Aqui encontrei uma realidade diferente, quando cheguei ao clube a natação não era tão competitiva, aliás, era no distrito de Aveiro mas não em Águeda. Aos poucos fomos conquistando o nosso espaço”.

P> Ao longo dos anos tem aumentado o número de atletas?
R> Sim, o que nos deixa muito contentes pois é sinal que temos feito um bom trabalho. Desse aumento resulta também um pouco de falta de espaço, todos os horários se centram depois das seis da tarde quando os pais saem do trabalho e os filhos da escola, nessas alturas a piscina está lotada.

P> Quais são os objetivos do trabalho que tem desenvolvido aqui?
R> Acima de tudo, pretendo ser transparente com os atletas. Alguns têm espectativas muito altas e por vezes a qualidade não corresponde. Ao mesmo tempo quero incentiva-los a praticar a natação, pois existe aqui um bom ambiente e vontade de trabalhar. Em termos de resultados propriamente ditos temos alguns atletas que atualmente treinam numa perspetiva de chamada à seleção nacional já este ano. Vamos trabalhar para ver se conseguimos atingir essa meta. No fundo, sem os iludir, o meu objetivo é torna-los competitivos.

P> Porque razão não existem competições de natação em Águeda?
R> As nossas condições de trabalho são pequenas. Temos apenas duas ou três pistas para treinar, não temos mais. A piscina tem 25 metros e é limitada a seis pistas. O ideal era ter uma piscina de 50 metros com oito pistas, que é o que a maior parte dos clubes que são competitivos têm. As associações já não fazem provas em piscinas de seis pistas, fazem nas de oito. Existem provas de seis pistas mas são nos escalões mais jovens, não são nos escalões de aprendizagem.

P> É possível fazer mais?
R> É difícil… A direção tem apoiado imenso. Dificilmente conseguiremos fazer mais do que temos feito, temos trabalhado muito e vamos continuar a desenvolver o nosso trabalho da melhor forma possível.

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