O 1.º Ciclo, a voz de Filinto Lima e os sindicatos com que os professores podem contar… , por José Manuel Alho (*)

José Manuel Alho

Na penúltima semana, Filinto Lima, vice-presidente Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), disse à Lusa que os diretores pretendem que o Ministério da Educação permita às escolas ter professores coadjuvantes nas turmas do 1.º ciclo para apoiar o trabalho na aula, já que as turmas podem ter até 26 alunos. Para o efeito, argumentou: “as turmas do 1.º ciclo deveriam ser mais pequenas, para permitir um ensino mais personalizado. Se as turmas tivessem menos alunos isso iria reduzir as situações de insucesso e indisciplina nos anos seguintes”.

Recordo-me do debate de Leiria sobre a monodocência no 1.º Ciclo. Filinto Lima (FL), confesso, deixou-me uma impressão favorável, bem longe de muitos cromos que, quando ascendem a cargos diretivos, logo se apressam, num rasgo de provinciano deslumbramento, a prescindir do seu estatuto/condição de Professores. Parece-me deter uma visão desempoeirada das questões centrais, embora – há que reconhecê-lo – numa lógica invariavelmente concatenada com a sensibilidade peculiar de quem é/está na gestão. Não será por acaso que NÃO prescinde da sua atividade letiva, isto é, não optou por deixar de dar aulas, um daqueles extras que parece animar muitos dos que buscam tão extremoso carreirismo.

Daí que, apesar de FL defender o fim da Monodocência, esteja longe de ser um inimigo do 1.º Ciclo e dos profissionais que nele exercem tão relevantes funções. Bem pelo contrário. Aparenta partilhar de muitas das preocupações e reparos que os docentes do setor há muito vêm apontando.

Esta intervenção poderia, no essencial, ser subscrita por qualquer Professor do 1.º Ciclo, excetuando, claro está, a expectativa de que o despacho de organização do próximo ano letivo se mantenha. Até porque se trata de um diploma que passou a comportar sufocantes injustiças e trágicas brutalidades que visaram – sem rebuço ou qualquer esforço de dissimulação – menorizar o exercício da função docente por aqueles docentes em particular. O exemplo que vicejou foi a questão da subtração do intervalo. Uma vergonha.

No entanto, o grande comentário que a intervenção de FL logo me suscitou foi: estas não só poderiam como deveriam ser as preocupações a as propostas dos sindicatos supostamente representativos de TODOS os docentes.

Mal estão os professores se, para a defesa de questões tão primárias quanto basilares, só podem contar com a voz do vice-presidente Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas!

Estamos, por isso, conversados sobre o ponto a que chegou o outrora sindicalismo docente e, acima de tudo, estamos esclarecidos sobre a qualidade da intervenção destes sindicatos em matérias atinentes ao 1.º Ciclo…

(*) – Professor, colaborador do Região de Águeda
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