“O andebol no concelho já teve melhores dias”

DANIEL CARDOSO, coordenador e treinador de andebol da LAAC

Com as minis e as infantis melhor do que se esperava e as juvenis aquém, o coordenador e treinador de andebol da LAAC traça um quadro otimista para a secção que mantém há vários anos. Daniel Cardoso critica, contudo, a Federação de Andebol de Portugal e a Associação de Andebol de Aveiro por descuidar a divulgação da modalidade nas escolas. Por isso, considera que o andebol “já teve melhores dias” no concelho

P> Que avaliação faz ao atual momento do andebol da LAAC?
R> Neste momento, as equipas de minis e infantis superaram todos as expetativas mais otimistas e as juvenis estão aquém daquilo que se esperava. As minis, com uma equipa maioritariamente constituída por bâmbis (apenas 4 minis), tem feito um excelente campeonato regional tendo 4 vitórias em 5 jogos. As infantis, quando falta apenas um jogo para o final da 1ª fase do campeonato nacional, contam por vitórias todos os jogos realizados, tendo garantido o apuramento para a fase seguinte.

P> Porque diz que as juvenis estão aquém?
R> Por duas derrotas consecutivas com dois adversários acessíveis (Academia de S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades), que deitaram por terra um possível apuramento para a fase seguinte do campeonato nacional. Tinham todas as condições para se apurarem, mas problemas internos levaram a resultados menos conseguidos, o que se lamenta, até porque há capacidades técnicas para se fazer mais e melhor.

METAS FORAM REDEFINIDAS

P> Quais são os pressupostos em que assenta a atividade que é desenvolvida?
R> Na LAAC, temos como lema fundamental a formação das atletas, com base num trabalho intenso e exigente, mas sem pressas, o que faz com que o período de formação seja longo mas consistente. Os técnicos dos diversos escalões estão conscientes que este trabalho de base é fundamental para o futuro, pelo que a exigência é muita tendo as atletas colaborado, sabendo que são elas que futuramente irão ser as mais beneficiadas.

P> Há uma preocupação com os resultados?
R> Não é nossa preocupação imediata os resultados, mas tão só a transmissão e aquisição segura das principais componentes técnicas do jogo, na certeza de que, com um trabalho persistente, os resultados virão mais tarde. A coordenação entre os técnicos dos diversos escalões tem-se mostrado uma mais-valia, pois assim há um trabalho contínuo e igual, o que leva a que as atletas, mesmo jogando noutro escalão que não o seu, se adaptem e consigam dar o mesmo rendimento.

P> Quais as metas que ambicionam atingir?
R> Para este ano, e tendo em conta os resultados obtidos, as metas foram redefinidas. Nas minis, passam por consolidar o trabalho das componentes técnicas de base, trabalho de grupo consistente e captação de mais atletas num trabalho que terá de ser feito a nível de escolas. Nas infantis, após o apuramento para a fase final do nacional, o objetivo principal passa por trabalhar a equipa para que nessa fase esteja no auge da condição física e técnica, com vista a uma melhor classificação possível. Para tal, irá participar no campeonato regional da categoria, com o objetivo de afinar estratégias e obter uma classificação honrosa, esperando-se que ocupe um dos três lugares do pódio. Irá também participar no torneio da Cidade de Castelo Branco, de 11 a 15 de abril, com o mesmo objetivo. Nas juvenis, o objetivo é lutar, embora seja difícil, pelo apuramento para a fase seguinte do nacional. Se a equipa for uma verdadeira equipa, tal objetivo ainda é possível. Se tal não acontecer, irá participar no campeonato regional.

DIVULGAÇÃO NAS ESCOLAS TEM SIDO DESCURADA

P> Considera que a dinâmica do andebol feminino se mantém no clube e no concelho, ou passa por acrescidas dificuldades?
R> Penso que o andebol feminino no concelho já teve melhores dias. O Pateira acabou com a sua secção e a LAAC e a Casa do Povo de Valongo do Vouga já tiveram em ação mais escalões do que apresentam na presente época desportiva.

P> Há razões para que essa situação aconteça?
R> Costumo dizer aos meus colegas treinadores que a Federação de Andebol de Portugal descurou um pouco o trabalho de divulgação que deve ser feito nas escolas. Contrariamente ao rugby, ao voleibol e ao basquetebol, que têm projetos bem definidos para as escolas, a federação e a associação de Aveiro não investiram e agora vimos muitos potenciais atletas a “desviarem-se” para as referidas modalidades. Não podem ser só os clubes a fazer este trabalho. A federação e a associação têm outros meios que eventualmente os clubes não têm. Enquanto este trabalho não for feito, provavelmente de época para época perderemos atletas e deixaremos muito em breve de ser a segunda modalidade mais praticada no país.

ESPERANÇADO NA MELHORIA DOS QUADROS COMPETITIVOS

P> A qualidade competitiva tem aumentado?
R> Com a nova equipa diretiva da Associação de Andebol de Aveiro, fico esperançado que os quadros competitivos aumentarão de qualidade. Recordo que, num passado recente, se realizava a 1ªfase dos campeonatos regionais e depois não se apurava o campeão, o que era muito desmotivante para as equipas.

P> Os quadros competitivos favorecem agora essa evolução?
R> Este ano as primeiras fases dos campeonatos são bastante competitivas e com muitos jogos, o que é bom para a melhoria do nível técnico das atletas. O único caso que não seguiu esta regra foi o campeonato de infantis, que está dividido em duas zonas, havendo consequentemente menos jogos. Esta situação em nada favorece a competição, pois quantos mais jogos se realizarem, quanto mais equipas estiverem em competição, mais competitivo se torna o campeonato e maior e mais consistente é a evolução das atletas. Penso também que a 1ª fase dos campeonatos nacionais, no nosso caso, não se deviam restringir às Associações de Aveiro e Viseu, mas estender-se ao Porto e a Leiria, associações com clubes credenciados, logo perspetivando maior competitividade.

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