“O Estado serviu-se das IPSS para ultrapassar muitos problemas sociais dos últimos anos”

Mário Ribeiro, presidente da LAAC

“O poder central não tem estado a acompanhar a evolução dos encargos obrigatórios das IPSS”, afirmou Mário Ribeiro, atual presidente da direção da LAAC, de Aguada de Cima. O dirigente vai praticamente a meio do mandato de quatro anos e ao RA (edição impressa e e-paper de 9 de agosto) traça o momento da LAAC, fala dos objetivos imediatos e dos problemas que se colocam à instituição e à sociedade que dela precisa. E afirma, perentório: “O Estado serviu-se das IPSS para ultrapassar muitos problemas sociais dos últimos anos”

“A instituição vive momentos difíceis por falta de crianças, embora se preveja que o arranque do novo ano seja bom”, refere Mário Ribeiro, presidente da direção da LAAC. Causas? “A nível nacional, a natalidade é um problema” mas a LAAC pode viver uma realidade um pouco melhor. “Temos já muitas inscrições para o novo ano letivo, mais do que no ano anterior por esta altura, e estamos quase a ficar cheios”. Considera o presidente da LAAC que “a população estará a olhar de outra forma” para a instituição.
Mário Ribeiro referiu ao RA que “a nível interno melhorámos a qualidade do serviço prestado às crianças”, através de “disponibilidade e abertura para a formação dos técnicos, sobretudo educadores de infância”. Desse modo, “cria-se confiança nos pais”. O dirigente sublinha que “o grau de exigência dos serviços aumentou, somos agora uma instituição certificada, obrigando a uma maior exigência por parte dos nossos serviços, com ganhos de qualidade no serviço prestado”.

NOVO PARQUE DE ESTACIONAMENTO

O presidente da LAAC, a meio do mandato de quatro anos, nota que a instituição “continua a ser a referência na comunidade”. Porém, adianta, “um dos nossos objetivos é aumentar a relação da instituição com a comunidade, fazendo ações e promovendo eventos, trazendo a comunidade a viver mais a instituição”.
O universo da LAAC obriga a direção a equacionar novos investimentos que contribuam para uma melhor organização. A direção, atenta ao volume de tráfego automóvel que a instituição promove, tenciona “implementar estacionamento para as viaturas visitantes ou para familiares e colaboradores. Só de colaboradores entram diariamente 50 viaturas no nosso espaço… passa das 500 pessoas entre colaboradores e pais. É uma prioridade o estacionamento, pois não temos espaço para o ordenar tal como está”. O projeto já está em marcha…

O ESTADO TEM FICADO AQUÉM

O maior constrangimento que Mário Ribeiro encontra no momento atual é “encontrar direções, pessoas que assumam as direções”. Os mandatos são de quatro anos para as IPSS, obrigatoriedade que retrai muitos potenciais dirigentes.
Mas há outros constrangimentos. “O poder central não tem estado a acompanhar a evolução dos encargos obrigatórios das IPSS”. Ou seja, “não tem feito atualizações de comparticipação de acordo com grau de exigência das comunidades às IPSS, que garantiram, durante muitos anos, um dever que é do Estado: o acompanhamento social”. Diz mais Mário Ribeiro: “O Estado serviu-se das IPSS para ultrapassar os muitos problemas sociais dos últimos anos”.
O presidente da LAAC refere que “as exigências da sociedade e das pessoas são cada vez maiores e os requisitos de funcionamento impostos também, para nós mais ainda por causa da certificação, mas as comparticipações não correspondem a essas exigências”.
A LAAC vai ultrapassando dificuldades com “muito acompanhamento, dedicação, diálogo e abertura com colaboradores e utentes”. Mário Ribeiro define a gestão como sendo “completamente aberta à comunidade”.

RISCOS SOCIAIS NOS IDOSOS

A realidade das respostas sociais da LAAC reflete o envelhecimento da sociedade. “A parte sénior está completamente cheia e nota-se que aumenta a procura, o que de alguma forma traz melhor qualidade de vida para muitos dos nossos idosos”. Porém, “aumentar a capacidade” da LAAC nesta área “não é possível, porque estamos limitados pelos protocolos da Segurança Social, que não está a alargar protocolos em nenhuma área”. Haveria necessidade, como reconhece Mário Ribeiro, que até aponta exemplos concretos, mas “para já não temos solução”.
Há idosos que “têm de ficar em casa, com todos os riscos inerentes e os problemas sociais associados, mesmo impedidos do apoio domiciliário, porque ultrapassam o número de utentes protocolados”.
Mário Ribeiro refere que “tem sido uma boa experiência” presidir à LAAC, mandato que termina em dezembro de 2019. “Já tinha passado por cá na presidência de Albano Abrantes, mas agora a qualidade de presidente traz outra forma de estar, trabalhar, ver a instituição… mais responsabilidade e preocupação na gestão de conflitos. Dá-nos uma abertura de compreensão, de conhecimento e de dedicação às causas sociais!”.

AUGUSTO SEMEDO
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