“O meu objetivo é fomentar o crescimento da cultura” – Inês Moreira (Paraíso Social)

Inês Moreira, maestrina do Orfeão do Paraíso Social

Inês Moreira é maestrina do Orfeão do Paraíso Social de Aguada de Baixo. Em entrevista ao Região de Águeda, fala do seu percurso e do seu trabalho à frente do grupo. Diz que fazem falta “elementos com menos experiência de vida” e que projetos como o Orfeão são importantes para “tirar as pessoas das suas rotinas” e estimular “o conhecimento, a relação entre pares e o bem estar”

P> Quando é que decidiu enveredar pelo mundo da música e o que a influenciou a fazer essa opção?
R> Decidi que o meu futuro profissional seria na arte musical quando tinha cerca de 15 anos. Tomei esta decisão, porque, apesar de existirem algumas áreas que me cativavam, foi como seguir um caminho que o meu pai não tinha tido possibilidade de seguir. Desde cedo, que os meus pais se esforçaram para me dar formação na área musical, e não foi por capricho de ter uma filha no conservatório, mas por verdadeiro gosto de a filha ter pedido para tocar violino, sabe-se lá porquê!

P> Vive profissionalmente da música? O que tem feito e o que faz atualmente?
R> Sim. Sou docente de viola d’arco, atualmente no regime oficial, no Conservatório de Música de Coimbra e no Conservatório de Santa Comba Dão. Contudo, não deixo de tentar conciliar as aulas na escola de música da LAAC, onde já estou há cerca de nove anos, entre outras atividades. Paralelamente à docência, sou instrumentista “freelancer”.

P> Como surgiu o convite para dirigir o Orfeão do Paraíso Social?
R> Como os meus pais fazem parte do Orfeão do Paraíso Social de Aguada de Baixo desde a sua fundação, acabei por também estar presente, a ponto de o maestro Artur Pinho Maria me desafiar para fazer cursos de direção. Na altura, ainda nem tinha tomado a decisão de tornar a música uma profissão, pelo que, fui a duas edições do curso, mas apenas para enriquecimento de currículo. A partir desta altura, quando o maestro não tinha disponibilidade para acompanhar o orfeão em alguma atividade, pedia-me que o substituísse. Em 2018, por motivos pessoais, o maestro conversou comigo no sentido de me incentivar a ocupar a posição dele.

“FAZEM FALTA PESSOAS MAIS NOVAS”

P> Como está a correr a experiência?
R> A experiência está a correr muito bem e tem tudo para melhorar. Está a ser e será claramente um bom desafio. Mas na verdade tenho muita sorte porque não estou à frente de estranhos, são pessoas que me viram crescer e isso faz com que exista uma maior cumplicidade e desejo de que tudo corre pelo melhor.

P> Quais são as principais dificuldades que sente enquanto dirigente do grupo?
R> Sendo muito franca e direta, os meus coralistas são uns amores e, tendo em conta a condição física de muitos deles, têm mesmo muita força de vontade e muito gosto em atuar, mas faz falta elementos com menos experiência de vida.

P> Qual a importância que tem o grupo, na sua opinião, para a comunidade de Aguada de Baixo?
R> É importante para incentivar a cultura, dar a conhecer o nome da nossa terra e, acima de tudo, tirar as pessoas das suas rotinas de casa-trabalho. Em qualquer comunidade devem existir atividades que estimulem o conhecimento, a relação entre pares, e o bem estar.

P> Quais são os seus objetivos para o Orfeão?
R> O principal objetivo é fomentar o crescimento da cultura na nossa terra. Desta forma, a evolução musical do Orfeão é fundamental. No entanto, o mais importante é que as pessoas estejam felizes enquanto fazemos música e estimulem a continuidade “do sair da lareira” para se auto desafiarem.

P> O grupo tem muitas atuações agendadas? O que está previsto?
R> Sim, no próximo dia 7 de março voltamos à capital (Lisboa). Entretanto, temos de começar a preparar o Encontro de Coros da Bairrada. Temos tido muita atividade, o que é muito bom, no entanto, também é preciso tempo para “mudar de ares musicais” e amadurecê-los.

P> Quantos elementos tem atualmente o grupo?
R> Atualmente somos 28, tento em conta que temos cinco novos elementos.

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