“O meu projeto é ganhar a Câmara de Águeda” – Pedro Vidal (CDS/PP)

Pedro Vidal

Pedro Vidal, que cumpre o seu terceiro mandato como presidente da União de Freguesias do Préstimo e Macieira de Alcôba, foi recentemente eleito presidente da concelhia do CDS-PP, assumindo como grande objetivo do mandato preparar o partido para ganhar a Câmara Municipal de Águeda nas próximas autárquicas. Mas em entrevista ao RA, o autarca e dirigente denuncia o “pagamento de favores” por parte do atual executivo municipal na sequência de promessas feitas durante a campanha eleitoral

P> Passou de vice-presidente a presidente da concelhia. O que o levou a candidatar-se?
R> Fui vice-presidente nos últimos quatro mandatos. Decidi candidatar-me por sentir que havia um apoio unânime em torno da minha candidatura, quer dos militantes mais antigos quer dos mais recentes. Esse consenso é importante porque fomenta a união interna do partido. Dentro do CDS em Águeda não há fações. Temos um partido unido!
Repare, nestas últimas eleições, o partido cresceu, rejuvenesceu e, portanto, a minha função agora será a de preparar o partido o melhor possível para as eleições de 2021.

P> O partido cresceu em número de militantes?
R> Cresceu em número e também em qualidade. O partido está a conseguir criar um leque alargado de gente capaz e competente nas mais diversas áreas. E é esse trabalho que vamos dar continuidade nestes próximos quatro anos.
P> Quais são então concretamente os seus objetivos para o mandato? Assume a liderança numa altura em que o partido perdeu um deputado na Assembleia Municipal e não conseguiu alcançar o seu objetivo de eleger um vereador…
R> Uma coisa fica provada em Águeda: onde governamos mantemo-nos. O meu objetivo é seguirmos o exemplo de concelhos vizinhos, como é o caso de Albergaria-a-Velha, em que a câmara é do CDS há três mandatos e a cada eleição que passa o partido tem mais votos.

P> Em Águeda isso não tem acontecido…
R> Houve mais listas a concorrer nas últimas eleições…

“ANTÓNIO MARTINS ERA O MELHOR CANDIDATO”

P> O que é que acha que correu mal na estratégia eleitoral do CDS-PP que justifica o resultado que teve nas autárquicas?
R> Tínhamos a esperança de mantermos os dois deputados na Assembleia Municipal e de conseguirmos eleger um vereador. Na nossa ótica, António Martins era, sem dúvida, o melhor candidato. Provou-o durante no debate realizado com todos os candidatos, que era quem tinha mais conhecimento, mas era menos conhecido e a população vota em quem conhece.

P> Apesar da sua aposta forte, o partido também não ganhou a União de Freguesias de Águeda Borralha…
R> Não atingimos o nosso objetivo nesta primeira eleição, mas também é muito difícil ganhar logo na primeira vez que concorremos. Jorge Castanheira ganhou, mas a sua candidatura surge num processo de continuidade de Paulo Seara.

P> Candidatou-se para fazer quatro anos na concelhia?
R> O mandato é de dois anos, mas proponho-me fazer quatro. Foi isso que disse aos militantes do partido. Fui eleito com 100% dos votos. O meu projeto é ganharmos a Câmara Municipal de Águeda. Seguirmos o exemplo do que está a acontecer nos concelhos vizinhos. Albergaria-a-Velha hoje é do CDS, Oliveira do Bairro conseguimos também retirar o PSD do poder ao fim de 12 anos.

P> O objetivo é ganhar a câmara com Pedro Vidal como cabeça de lista?
R> O candidato será aquele que estiver mais bem preparado na altura.

P> Mas admite esse cenário?
R> Ainda posso fazer mais um mandato na União de Freguesias se o povo assim o quiser, mas acho que, em quatro anos, muita coisa pode acontecer. Omeu objetivo – seja eu seja outro militante ou independente que apareça bem posicionado – é ganhar a câmara, porque acredito que o estado de graça do atual executivo acabou… Se compararmos os resultados de 2013 e de 2017, vemos que esta câmara baixa de 60% para 44%. Tiveram maioria por 60 votos. Entraram sem dúvida numa linha decrescente.

P> E se Gil Nadais voltar daqui a quatro anos como candidato? Acha que é um cenário provável?
R> Acho que não… até porque não se deve voltar ao lugar onde já se foi feliz…

“GIL NADAIS CRIOU A MARCA ÁGUEDA”

P> Gil Nadais fez um bom trabalho na câmara?
R> Penso que sim, sobretudo nos dois primeiros mandatos em que rompeu com o passado e inovou, conseguindo criar a marca “Águeda”. No primeiro mandato “arrumou a casa”, no segundo criou a marca Águeda, só que de lá para cá tem sido sempre menos do mesmo… já nem diria mais do mesmo… .

P> Então que avaliação faz do mandato do atual executivo e que expetativas tem em relação a esta equipa do Juntos na Câmara Municipal?
R> Durante a campanha eleitoral foi-nos dito que agora iria ser a vez de olhar para o concelho como um todo e não só para a cidade. Só que o orçamento municipal não reflete aquilo que foram as promessas eleitorais. Na realidade, as freguesias vão ter menos dinheiro. As promessas que nos foram feitas – e posso falar aqui também como presidente de junta – foram goradas. Basta olharmos para os números do orçamento.

P> Aquele argumento de que é necessário fazer projetos antes de partir para o investimento não colhe, na sua opinião?
R> Então mas ao fim de 12 anos esta câmara ainda não tem projetos?

P> Tem outra liderança…
R> A equipa é a mesma e Jorge Almeida era o vereador com o pelouro das freguesias. Repare, enquanto presidente da Junta, ao longo de oito anos, não sei se fiz três reuniões com Gil Nadais para falar de freguesias… porque os assuntos eram sempre tratado com o vice-presidente Jorge Almeida. Não quero acreditar que um “vice” que teve a “pasta” das freguesias durante 12 anos não tenha projetos.

P> Foram frequentes os seus desabafos na Assembleia Municipal por causa da falta de água e saneamento na sua freguesia…
R> Há assuntos que deveriam estar na ordem do dia do presidente da câmara, sobretudo quando se trata de infraestruturas básicas. Não posso aceitar que haja em Águeda casas – e são muitas – sem acesso à água ao domicílio e sem saneamento e termos criado um “elefante branco” que é o centro de artes e que se tenham gasto tantos milhões só com receita própria da autarquia sem que tenha entrado um único cêntimo de apoio.

P> Discorda, portanto, desse investimento…
R> Acho que tem de haver prioridades.

“PARQUE DO CASARÃO FOI UMA APOSTA GANHA”

P> E o parque municipal do Casarão?
R> Para mim, foi uma aposta ganha! Não naquele local porque hoje temos dificuldades de acesso para lá chegar. Se este executivo conseguir resolver o problema dos acessos, aí, sim, pode dizer-se que foi uma aposta ganha a 100%.

P> O que é que a câmara deveria fazer em relação ao contrato com a AdRA?
R> Para mim o contrato foi ruinoso e a câmara não salvaguardou os interesses nem do município nem dos munícipes que pagam mais 180% de água do que se pagavam antes da adesão. A tarifa de saneamento aumentou mais de 300% e a limpeza de uma fossa antes custava 15 euros e agora custa mais de 30. Estamos a falar de aumentos absurdos em troca de nada, porque quem não tinha água continua a não ter.

P> Continua a defender a denúncia do contrato?
R> Há mais do que matéria para que haja denúncia e para que a água e saneamento retornem à câmara municipal, porque quando foi feito o contrato com a AdRA as cláusulas eram claras, 80% do município até 2014 teria que ter acesso à água. Ora, a AdRA não cumpriu com aquilo que tinha prometido e a autarquia pode denunciar o contrato. Mas se calhar não quer… porque é mais um encargo e se calhar também vai ter de devolver algum dinheiro à AdRA e se calhar a câmara municipal não está hoje tão bem financeiramente como se dizia há algum tempo atrás.

“CINCO MESES APÓS INAUGURAÇÃO LOJAS DO CIDADÃO NÃO FUNCIONAM”

P> E as lojas do cidadão? O assunto está resolvido?
R> Quem olhou para a última edição dos jornais antes das eleições reparou que quer Gil Nadais quer Jorge Almeida andaram pelas freguesias a inaugurar lojas do cidadão. Já passaram cinco meses e as lojas do cidadão ainda não funcionam. Entretanto, foi-nos prometido também 200 euros por cada posto. Tivemos reuniões com Jorge Almeida e Gil Nadais que nos prometeram isso, mas eu fiz três vezes a pergunta na Assembleia Municipal a Jorge Almeida e ele não me respondeu. É a prova evidente da demagogia política que carateriza este executivo.

ISABEL GOMES MOREIRA
(entrevista completa na edição da semana de 28 de fevereiro de 2018 – versões e-paper e impressa)
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