“O Orfeão de Águeda atravessa um dos melhores momentos da sua história recente”

Júlio Balreira, presidente do Orfeão de Águeda

A meio do ano do centenário, que vem sendo comemorado com iniciativas mensais, o presidente do Orfeão de Águeda, Júlio Balreira, realça a qualidade do grupo coral e a importância do teatro, abrindo ainda a porta do regresso ao xadrez. “O Orfeão de Águeda atravessa um dos melhores momentos da sua história recente”, considera o dirigente, em entrevista

P> Considera que esta comemorações do centenário estão a correr como o desejado e podem ser uma mais valia para o futuro da instituição?
R> As primeiras iniciativas levadas a efeito mostram que o Orfeão de Águeda está bem integrado na sociedade aguedense. Destacava duas ou três iniciativas: a sessão solene de abertura, com a presença de muitos aguedenses, instituições e amigos que encheram o salão nobre da câmara municipal; a apresentação do novo CD, que é um trabalho que consideramos muito bom e que teve um debate sobre a música com a participação dos professores António Vassalo e maestros Pedro Neves, Luís Cardoso e Paulo Neto; e a noite de canto alentejano, realizado no CEFAS, que recordou outras iniciativas do orfeão de Águeda naquele espaço e que foi uma noite culturalmente muito rica também.
O primeiro semestre tem sido bastante intenso! Participámos também no dia mundial da música, na Casa da Música no Porto, e partilhámos experiências com outros grupos com a deslocação a Tarouca, em que participamos num concerto com a banda local. Em Águeda estivemos presentes no aniversário da 12 de Abril e no concerto organizado pela Banda Castanheirense. Destacava ainda a conferência sobre música no centenário que teve a participação do professor Paulo Vaz de Carvalho e do nosso conterrâneo André Madeira. E ainda de um momento simbólico: a plantação da árvore do centenário nos anexos da nossa sede.
P> Já agora, o concerto com a Guita Guerra…
R> Não sendo da nossa responsabilidade, direi que o concerto com a Rita guerra foi um momento de afirmação da qualidade do Orfeão, reconhecimento feita por ela e pelo seu grupo.
P> Este programa é visto como uma oportunidade da instituição sair das suas paredes e de se aproximar na comunidade, num momento em que há mais individualismo?
R> Não diria que é uma oportunidade. Nos últimos anos temos estado junto da comunidade, procurando fomentar partilhas com associações do concelho. Pretendemos fundamentalmente honrar o passado do Orfeão de Águeda, o seu fundador, e todos aqueles que ao longo destes 100 anos deram o seu contributo para que hoje o Orfeão de Águeda seja uma referência cultural do nosso concelho.

VALORES DO FUNDADOR BEM PRESENTES

P> Os valores do fundador Armando Castela ainda estão bem presentes?
R> Sim, da nossa parte e da equipa que me acompanha há um esforço para manter, e aprofundar até, esses valores. É permanente! Todos sabemos que as associações passam por momentos menos bons, às vezes até com clivagens, mas temos procurado ultrapassar os contratempos não excluindo quem quer que seja nestas comemorações do centenário.
P> O que destaca do que ainda vai acontecer?
R> Temos de imediato o concerto de aniversário no dia 18, no cine São Pedro. Em setembro, o torneio nacional de xadrez de Águeda com a participação de algumas centenas de praticantes, incluído no calendário nacional e internacional; em outubro iremos homenagear com uma missa todos os que não estão entre nós, e iremos assinalar a data com placas comemorativas aos cemitérios de Águeda; em novembro ocuparemos o mês com um festival de teatro, com a participação de diversos grupos e uma conferência sobre teatro no dia 11 com a participação do encenador e dramaturgo Hélder Costa; em dezembro, para encerrarmos as comemorações, estamos a estruturar um concerto a 17 que oportunamente será detalhado, envolvendo associações do concelho.

Júlio Balreira, presidente do Orfeão de Águeda

Júlio Balreira, presidente do Orfeão de Águeda

MAESTRO DETERMINANTE PARA A VITALIDADE

P> Com que vitalidade o Orfeão chega a este centenário?
R> Com realismo, o Orfeão atravessa um dos melhores momentos da sua história recente. Em número de elementos e na qualidade do trabalho que tem vindo a realizar. Há um contributo importante e decisivo do nosso maestro Paulo Zé Neto. A preparação que tivemos para a gravação do CD foi determinante para a qualidade que eu referi. Foram meses de muito trabalho, de ensaios com o grupo todo e por naipes, e até individualmente, que permitiu melhorar a qualidade. Um produto bom e criou condições, criando condições para estabilizarmos. Quem está mais atento à vida do Orfeão reconhecerá essa qualidade. Num concerto em que participamos há sempre peças novas que cantamos, com outras temáticas, portanto fazemos sempre alguma coisa de novo.
P> Estamos a falar do coro… e em relação à secção de teatro?
R> Estão neste momento a preparar uma nova peça para estrear no festival de teatro, em novembro. A encenação é do Luís Filipe Martins. O objetivo desta nova peça, depois de estreada, é levá-la às freguesias do concelho de Águeda e até fora do distrito. Os grupos vão cá estar através de parcerias, permitindo a deslocação do nosso grupo também a realizações suas. Não sei se vamos conseguir mas gostaríamos, neste centenário, pelo menos lançar as bases para reeditar a seção de xadrez do Orfeão de Águeda.
P> A secção de teatro será assim como um apêndice do Orfeão?
R> Não, claro que não. Há aparência da gente de Águeda para o teatro, e de gente jovem. Queremos manter a secção mas tencionamos torná-la mais forte e com mais dinâmica. O grupo de teatro tem história e nós queremos manter.

XADREZ PODE REGRESSAR

P> A iniciativa do xadrez indicia a intenção de retomar a atividade?
R> Não sei se vamos ter condições para o fazer a breve prazo. Porém, a realização da prova, e algumas vontades expressas por antigos jogadores de xadrez, leva a pensar nessa hipótese. A Associação de Xadrez de Aveiro e a própria federação veem com bons olhos que o Orfeão regresse à atividade, uma vez que nos anos 90 a instituição foi uma referência a nível nacional com a participação na primeira divisão e com o título de campeões distritais.
P> O que é necessário para que a secção de xadrez seja reeditada?
R> Da disponibilidade da direção e infraestruturas não há dificuldade. Esperamos que haja homens e mulheres, jovens, que possam vir até ao Orfeão para dar corpo a esta ideia. A escola Adolfo Portela tem uma secção de xadrez e há alguns núcleos no concelho. Há disponibilidade, temos de encontrar forma para dinamizar.

CORO É REFERÊNCIA PARA OUTROS GRUPOS

P> Regressando ao coro, muitos outros orfeões e coros surgiram, principalmente nos últimos anos. O Orfeão de Águeda é o motor?
R> Não exagero mas é sim uma referência para o aparecimento de outros grupos. Em muitos dos grupos corais existentes em Águeda estão elementos que fizeram a sua aprendizagem no Orfeão de Águeda.
P> Na linha dos últimos anos, estão previstas novas deslocações ao estrangeiro em breve?
R> Só não concretizámos este ano dado o grande número de iniciativas que temos organizado para comemorar o centenário. Tínhamos convite para a Croácia, outro para a Hungria, e a possibilidade de participação num festival de grande qualidade em Salzburgo, na Áustria. Há uma manifesta falta de tempo para a preparação e a organização de uma deslocação como estas. Mas, no próximo ano, na linha do que tem vindo a suceder, e com toda a naturalidade, voltaremos a um festival internacional.

(entrevista publicada na edição de 15 de junho – edições e-paper e impressa)

Autores

Notícias Relacionadas

*

Top