O Vouguinha vai compreender , por Abrunhosa Simões (*)

O Vouguinha vai-me compreender e de certeza estar solidário connosco!

Em Setembro de 1911 foi inaugurado o Ramal de Aveiro da Linha do Vouga, ligando a Sernada do Vouga a Aveiro e passando por Águeda. Cem anos e alguns dias depois, parece que a linha vai mesmo acabar.

 

Se não fosse tão grande a tristeza e a desilusão que atravessa coração dos Portugueses, resultante da incompetência de todos os nossos governantes nos últimos 30 anos e que está espelhada na situação de crise vigente, seria de tocar bem alto as trombetas para que o povo se reunisse e lutasse contra tão nefasta tomada de posição.

Uma linha a ligar 2 cidades activas e que se pretende que ainda consigam crescer, com condições de transporte rápido e não poluente. Uma linha ainda com potencial turístico evidente, uma das vantagens competitivas que ainda não foi malbaratada! Encerra-se porquê?

 

Porque será que na nossa factura da electricidade só metade do seu valor corresponde à energia eléctrica efectivamente consumida. E porque será que da metade restante, grande parte vá para o financiamento das energias renováveis (por não serem poluentes?), ou melhor, que vá para o “lobby” das eólicas de tão duvidosa eficiência pela forma como está ser gerido e se encerra uma linha ferroviária com condições de vir a ser economicamente rentável e ambientalmente ecológica?

 

Mas com a pobreza a crescer, a fome espalhada no rosto de cada vez mais crianças, o desemprego crescente, a humilhação porque passam portugueses sérios, dignos e trabalhadores, será que faz sentido clamar contra o encerramento da Linha do Vouga? Ou melhor, fazer sentido faz, mas será que nesta situação caótica em que vivemos tal luta é prioritária?

 

Quando a nossa história, ou melhor, quando a história do povo do país/nação mais antigo da Europa corre o risco de, pelos últimos acontecimentos, chegar à sua desintegração, fará sentido priorizar causas nobres e lutar contra os seus inimigos? Ou será que faz mais sentido da parte de todos nós fazer uma reflexão que nos diga ou nos ajude a entender minimamente porque chegámos até aqui?

Se tal formos capazes de fazer, poderemos estar certos que, com sacrifícios, com muito esforço, com a responsabilização efectiva dos criminosos e com o pagamento do deficit por aqueles que, ao roubarem o estado roubaram os portuguesas, voltaremos a ter dias em que as crianças voltem a sorrir, os homens voltem a sentir-se dignos e por isso livres e o Vouguinha, talvez sem fumo ou gases de escape poluentes, volte a circular por estas paragens.

 

É pois tempo de participação e de luta. Hoje, amanhã, a 24 de Novembro dia da Greve Geral. É tempo de gritarmos aos nossos governantes locais e aos Eurocratas sedeados em Bruxelas, Berlim ou Paris, que somos um povo com dignidade e com História. De lhes gritarmos que não fomos nós os responsáveis pelo deficit e pela crise.

 

Os responsáveis foram eles, as marionetas dos grandes grupos financeiros mundiais, que têm demonstrado diariamente e de uma forma consistente a sua pequenez, a sua arrogância e a sua incompetência.

Os gregos, os portugueses e os outros povos da Europa, que certamente se seguirão neste via apertada e de retorno difícil, que tanto têm contribuído para o avanço da ciência e da tecnologia, para a criação de melhores condições de vida à humanidade, enfim, todos os povos da Europa, não necessitam de Merkels, Sarkozys, Berlusconis, Passos Coelhos, etc, etc. que apenas causam perturbações profundas na marcha inexorável da história.

 

O que existe, foram os povos que construíram. As ruínas e a miséria que se vislumbram no horizonte, são da responsabilidade dos políticos incompetentes, desonestos e corruptos que nos têm governado. Por isso devemos também compreender e apoiar os jovens que se têm manifestado de forma crescente nas grandes capitais do mundo, contra esta sociedade que, embora moribunda, ainda faz tanto mal ao mundo. Prometo que depois desta luta, tentarei arranjar tempo para ajudar a ressuscitar o nosso Vouguinha. Ele vai-me compreender e de certeza estar solidário connosco!

(*) Membro do PCP / Águeda

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