Obra histórica sobre forais manuelinos enfatiza “riqueza” das terras de Águeda

p O vereador João Clemente, Daniela Mendes, em representação da assembleia municipal, a vereadora Elsa Corga e a autora do livro, Maria Alegria Marques

“Terras de Águeda – 500 anos dos forais manuelinos”, da professora catedrática Maria Alegria Marques, da Universidade de Coimbra, foi apresentado na quinta-feira. A obra é constituída por três volumes e pretende, com o rigor das fontes oficiais, “aumentar o conhecimento” e “alargar as perspetivas” num município que tem uma rica história que precisa conhecer

“Os forais manuelinos que se publicam – Préstimo, Vouga, Serém, Castanheira, Aguada de Cima, Barrô e Aguada de Baixo, Ois, Segadães e Brunhido, Recardães, Trofa, Casal d’Alvaro e Bolfiar, e ainda a participação de Assequins no foral de Angeja e de Águeda no de Aveiro -, espelham uma realidade de outrora, de há cinco séculos, da qual sobressai não só uma tentativa de uniformização administrativa por todo o território, como fornece um importante quadro da vida económica e das relações jurídicas das populações com o poder, traduzidas nos seus direitos e nos seus deveres”, podem ler-se no prefácio da obra assinado pelo presidente da Câmara, Jorge Almeida; obra agora lançada e distribuída por autarquias, escolas e instituições do concelho de Águeda.

RIQUEZA DAS
TERRAS DE ÁGUEDA
Os forais surgiram entre 1514 (Préstimo) e 1519 (Casal d’Álvaro e Bolfiar). São testemunho da “riqueza destas terras de Águeda” no período reformista de D. Manuel I. A autora sublinhou “o panorama administrativo bem diferente do atual” existente naquela época, “um verdadeiro mosaico de jurisdições, do rei e uma multiplicidade de senhores, leigos e eclesiásticos”.
Maria Alegria Marques refere que não encontrou uma “visão de conjunto” de entre os trabalhos antes publicados por autores que se têm dedicado a Águeda. “Entendemos por bem apresentar os mais importantes traços da sua evolução histórica, desde os tempos longínquos do sec. X, quando, por entre lutas de cristãos e muçulmanos, se perceberam as suas marcas estruturantes e se fixaram os seus destinos, até à fixação dos senhorios”.
A autora procura “oferecer um panorama da terra nos momentos fulcrais da sua ocupação e da expansão dos homens e afirmação das instituições”, bem como “colocar em evidência” a ação dos reis de Portugal sobre terras de Águeda que “entraram na História muito anteriormente ao reino de Portugal”. Pretende ainda o panorama eclesiástico no sec. XIV e “esclarecer a organização administrativa da terra até ao advento da reforma manuelina dos forais”.

FORÇA IDENTITÁRIA
DO CONCELHO
Maria Alegria Marques espera que a obra fique “como sinal de ligação de passado e futuro”, sobretudo “que sirva de testemunho da força identitária dos moradores do concelho de Águeda”. Deixou elogios à colaboração prestada pela vereadora Elsa Corga, pela técnica municipal Manuela Almeida, ao Arquino Nacional da Torre do Tombo, ao ex-presidente da Câmara Deniz Ramos, António Martins (Joartes) e Inês Correia (“a quem devemos a análise cronológica do foral de Recardães”), entre outros.
“Os homens traçam o destino, as terras ficam com essas marcas e com a marcas de caráter social e administrativo que o homem foi capaz, ou não, de fazer no seu tempo”, comentou a autora da obra, destacando os “interesses pessoais” em “terras férteis, ricas e boas, que rendiam” e a época manuelina como um “momento de reforma e de esperança para o povo, como tantas vezes acontece quando o povo aspira por reformas”.
Para a vereadora da cultura do município de Águeda, a obra “é densa e vem com muita informação, é riquíssima; torná-la pública é uma grande satisfação”. Elsa Corga agradeceu a “total disponibilidade” da autora e o “empenho” dedicado para que Águeda conheça as suas raízes. “Fica mais fácil conhecer a história do nosso concelho”.
A apresentação da obra foi antecedida de uma encenação histórica por parte da Viv’Art, à entrada dos Paços do Concelho.

AUGUSTO SEMEDO
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