Odete Ferreira, autora do livro Magnólia: “Espelhar momentos, alertar consciências e homenagear mulheres”

Odete Ferreira

Odete Ferreira, professora na Escola Secundária Marques de Castilho até 2009, prepara-se para fazer o lançamento do seu quinto livro, intitulado “Magnólia”, no dia 7 de março, às 17 horas na Biblioteca Municipal Manuel Alegre.  “Ao escrever estes textos, pretendi apenas espelhar momentos, alertar consciências e, em certa medida, homenagear mulheres”, disse em entrevista ao RA

P> A mulher está no centro dos textos que compõem este seu quinto livro Magnólia. Que mensagem quer transmitir a quem o ler?
R> Ao escrever estes textos, pretendi apenas espelhar momentos, alertar consciências e, em certa medida, homenagear mulheres que são deusas de pequenas coisas e heroínas de grandes causas.

P> Porquê Magnólia para o título do livro?
R> Uma razão prende-se com a sonoridade da própria palavra. Magnólia soa-me a cântico e vejo-a como um tapete colorido para a entrada da primavera. A outra razão é de teor científico. Acredita a ciência botânica que a magnólia tem estruturas reprodutivas e anatómicas semelhantes a plantas primitivas. Crê-se que a magnólia terá sido a primeira flor a perfumar a terra. Como a Mulher Primeira.

P> Tem temáticas preferidas na sua escrita?
R> Sim, fundamentalmente, o tempo e a sua corrida vertiginosa. A infância, uma porta aberta para o paraíso, a adolescência, esse mundo cifrado de códigos e desafios, a maternidade, a heroicidade incógnita, a violência, o envelhecimento, são temas recorrentes na minha escrita.

P> Discute-se muito se há uma escrita feminina ou não… qual a sua opinião?
R> A questão é controversa. Fala-se em escrita feminina, em autoria feminina, em discurso feminino., Como se define a escrita feminina? Pela temática? Pelo aspeto formal? Refletindo a literatura as vivências do/a escritor/a, é natural que o universo feminino, mais centrado em temas como o reencontro da mulher com o seu próprio corpo, a maternidade, a desigualdade de género, a violência doméstica, seja mais frequente na literatura escrita por mulheres, no entanto, existem escritores que são profundos conhecedores desse universo e o descrevem de uma forma dita “caracteristicamente feminina”. Deixe-me citar dois exemplos. “Menina e moça me levaram de casa de meu pai para longes terras” foi escrito por Bernardim Ribeiro, escritor português nascido em finais do século XV. E que dizer de Sándor Márai, escritor húngaro do século XX, conhecedor profundo da alma feminina? Paralelamente, existem escritoras que usam um discurso mais “masculino”, como Marguerite Yourcenar, escritora belga de língua francesa, do século XX.  Não se escreve de determinada forma por se pertencer a determinado sexo. Os escritores bebem das mesmas fontes e o seu talento reside na criação do novo, com base nas raízes, como acontece em todas as artes, como acontece na vida.

“A escrita é o sítio para onde viajo para me encontrar comigo mesma”

P> Que lugar ocupa a escrita na sua vida e de que forma as vivências que tem ligadas ao ensino e a outras esferas da sua vida são importantes?
R> A escrita é o sítio para onde viajo para me encontrar comigo mesma. Aqui permito-me recriar o meu mundo, as minhas vivências, o meu encontro com os outros. O ensino permitiu-me moldar e ser moldada e deu-me a conhecer pessoas belíssimas, na sua complexidade e nas suas experiências de vida. Sou igualmente comprometida com a cultura e a solidariedade social. Todos estes campos estão presentes nos meus textos.

P> Já está a trabalhar no próximo projeto?
R> Sim, estou a preparar a publicação de um livro em Freixo de Espada à Cinta, minha terra natal. Freixo e a sua história, as suas tradições, a sua cultura, a sua linguagem, são fontes inesgotáveis da minha escrita, como tem sido Águeda, tão presente em Cantiga de Fogo e Margem e outros textos.

Autores

Notícias Relacionadas

*

Top