Onde.pára.a.polícia? @Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

Alberto Marques

Começo este artigo com uma declaração de interesses: sou comodista. Sou, aliás, muito comodista. Sendo possível ir de carro a algum lado, tento sempre fazê-lo. Posto isto, permitam-me que partilhe com os leitores um factor de profunda irritação que tem vindo a apoquentar-me: o estacionamento automóvel na cidade de Águeda.

Não é a primeira vez que aqui escrevo sobre este tema. Já manifestei as minhas críticas e reservas relativamente às opções da Câmara Municipal no que ao estacionamento diz respeito. Já gastei muitas linhas (eventualmente, demasiadas) com a autêntica guerra deste executivo contra os automobilistas, guerra, aliás, assumida pelo senhor Presidente da Câmara. A cidade é para as pessoas, dizem. Palavras bonitas, com as quais até concordo, dentro do que é razoável. A cidade é para as pessoas, mas as pessoas precisam de chegar e movimentar-se na cidade. E os negócios, principalmente o comércio, também. E os principais serviços públicos, também. Até os turistas que vêm ver os guarda-chuvas coloridos chegam de automóvel. Mas sobre isto, sobre as limitações à mobilidade impostas por uma regeneração urbana virtuosa no plano virtual, mas ineficaz na realidade, já disse o que achava.

Este pequeno artigo tem a ver com a forma como as mais elementares regras de trânsito que regem os estacionamentos na cidade são repetida e ostensivamente violadas. Apesar de existirem (incompreensivelmente) poucos lugares, de fraca qualidade, e até mal dimensionados, o mínimo que podemos exigir é que as regras sejam cumpridas. Mas não são.

Todos os dias, de manhã à noite, encontramos dezenas de viaturas estacionadas em cima das inenarráveis vias cicláveis, apesar de o Presidente da Câmara repetir até à exaustão que o estacionamento é proibido nas ditas vias. Veja-se o exemplo da Avenida Calouste Gulbenkian.

Todos os dias, de manhã à noite, tropeçamos em dezenas de viaturas estacionadas em cima de vias cicláveis, passadeiras, placas de granito e passeios na Rua Fernando Caldeira, frente ao Tribunal e aos Correios.

Todos os dias, de manhã à noite, encontramos automóveis estacionados ilegalmente na zona da Venda Nova, nas imediações da Câmara Municipal.

Todos os dias, de manhã à noite, os dois largos, em ambas as extremidades da Rua Luís de Camões, estão pejados de carros.

E poderia continuar este imenso rol de situações em que, face às limitações vigentes, os automobilistas prevaricam de forma continuada e permanente. E não refiro a pequenos momentos de típico desenrasca à portuguesa, como eu próprio ocasionalmente faço na ex-avenida, parando bem encostadinho durante os breves segundos em que vou comprar pão, isto após ter dado duas voltas ao quarteirão em busca de lugares que já lá não existem. Falo, sim, de automóveis estacionados em lugar proibido durante horas!

Por outro lado, quando preciso de fazer alguma coisa um pouco mais demorada, lá tenho de dar as inevitáveis voltas e voltinhas, acabando por deixar o carro muito mais longe do que me apetecia, com a suprema irritação de ver dezenas de “mal estacionados” impunemente parados mesmo em frente aos meus destinos…

Perante isto, termino com algumas simples perguntas: afinal, de quem é a responsabilidade? Quem tem o dever de fiscalizar? Quem tem a obrigação de autuar os prevaricadores? Onde andam os fiscais municipais? E já agora, onde é que pára a polícia???…

(*) – Membro do PSD na Assembleia Municipal de Águeda

Autores

Notícias Relacionadas

*

Top