Os pecados do ambiente

Floresta de Águeda em cinzas

Para a Quercus de Aveiro existem vários pecados do ambiente na região. Nos factos negativos do ano de 2016 encontram-se o Parque de Ciência e Inovação, instalado sobre zona de proteção especial da Ria de Aveiro, os incêndios florestais, as podas “abusivas e destruidoras”, os “impactes nefastos da implementação do regime de arborização” e a expansão de espécies exóticas, bem como as descargas poluentes nos rios e ribeiras (particularmente nos rios Vouga, Caima e Ul, e na Ria de Aveiro e na Pateira de Fermentelos).

“Relativamente à qualidade físico-química dos cursos de água, continuam a verificar-se concentrações de nutrientes e cargas orgânicas, associadas sobretudo a más práticas agrícolas com uso excessivo de fertilizantes e a descargas poluentes com origem urbana e/ou industrial”, refere a Quercus, para quem “a inexistência de saneamento básico em diversos pontos do distrito põe em causa a saúde pública e o ambiente”. Considera por isso “urgente” investir na expansão da rede de saneamento e de abastecimento de água.
Para a Quercus, “os bivalves, capturados nas zona proibidas da Ria de Aveiro, são comercializados ilegalmente e podem constituir um grave risco para a saúde pública”. Acusa ainda que a captura é feita “por meio de métodos ilegais, que utilizam artes de arrasto pelo fundo ou redes rebocadas similares que operam em contacto com o fundo”, destruindo assim “o ecossistema e a vida estuarina na Ria da Aveiro”.
Para além deste problema, acrescenta a Quercus que “a apanha selvagem de casulo, uma espécie de verme utilizado como isco para a pesca, está a pôr em risco a existência de mais de duas centenas de espécies. Quando os apanhadores revolvem o fundo da ria há muitas espécies que acabam por morrer”.

Alteração das políticas públicas para a floresta

A Quercus defende a “necessidade de serem implementadas políticas públicas de longo prazo, promotoras da gestão sustentável da floresta e do desenvolvimento rural, equilibrando a despesa de prevenção com a despesa de combate a incêndios”. Aquela organização ambientalista “espera uma alteração séria das políticas públicas para a floresta, que promovam o investimento no mundo rural”, defendendo a aplicação de algumas melhorias, “como a diminuição das áreas ocupadas pelo eucalipto, a gestão da paisagem florestal em mosaico, a plantação de mais espécies autóctones e a aplicação de um plano nacional para o controlo ou irradicação de espécies infestantes”.
Para a Quercus, desse modo “estar-se-á a investir no futuro e com a garantia de um maior retorno de que beneficiará toda a sociedade, travando este ciclo infernal de destruição” com os incêndios.
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