Paulo Seara (PS): “Não precisaria que ninguém me dissesse que me deveria demitir”

Paulo Seara, candidato do PS à Câmara Municipal de Águeda

Paulo Seara, candidato do PS à presidência da Câmara Municipal de Águeda, na sua primeira entrevista, defende que os vereadores se deveriam demitir das suas funções. Elogia a “lisura” de Francisco Vitorino no processo de escolha do candidato e diz que guarda uma mágoa de todo este processo, que foi perder o amigo Edson Santos. O Região de Águeda online publica a entrevista alargada com o candidato socialista

P> Quando é que tomou efetivamente a decisão de ser candidato?
R> Já ouvi algumas pessoas dizerem que eu sempre pensei em ser presidente da câmara… Sim, quem está na vida política ativa pensa sempre em almejar um lugar mais alto… Mas aprendi com o meu pai uma coisa: o percurso de vida de um cidadão é feito passo a passo, degrau a degrau. E eu fiz exatamente isso. Estive na Assembleia Municipal, onde sou um deputado bastante interventivo, alterei a forma de trabalhar da União de Freguesias de Águeda e Borralha, e fui adquirindo conhecimento. Hoje sinto que, depois de gerir uma freguesia com a dimensão como a de Águeda e Borralha – é importante que se note que a freguesia de Águeda e Borralha em termos de população e área é maior do que muitos concelhos deste país – que estou em condições de poder ser uma mais valia com os conhecimentos que adquiri. Respondendo à pergunta, tomei a decisão de ser candidato, de forma mais efetiva, em janeiro ou fevereiro.

“Fui quem mais defendeu Gil Nadais ao longo de 12 anos de mandato”

P> Num comunicado enviado à imprensa, assume-se como o continuador do projeto político de Gil Nadais. Como explica querer ser um continuador de uma política que criticou tantas vezes, sobretudo neste último mandato?
R> Durante 12 anos, fui provavelmente a pessoa que, na Assembleia Municipal, mais defendeu os caminhos traçados por Gil Nadais, ma há uma coisa que eu nunca serei, como se costuma dizer, “uma ovelha que vai com o rebanho”. Discordei de Gil Nadais em situações pontuais…

P> Discordou relativamente à construção do centro de espetáculos, ao processo de aquisição do crossódromo, vias cicláveis… O próprio Gil Nadais disse numa Assembleia Municipal que “… já estou habituado que o Paulo Seara e o José Vidal estejam sempre em desacordo com o que eu digo!…”
R> Essa foi uma assembleia municipal muito desgastante para Gil Nadais, portanto é provável que quase no final ele tivesse tido essa intervenção. Relativamente ao centro de artes, aquilo que eu disse é que não me parecia ser uma necessidade premente, mas disse mais. Disse que se houvesse financiamento europeu, eu votaria a favor. Porque burro é aquele que não faz uma obra de 5 milhões por 1 milhão. Defendo a boa gestão dos dinheiros públicos, como Gil Nadais demonstrou fazer ao longo de 12 anos, e esta atitude foi uma atitude racional, de pensar exatamente nisso.

P> Preocupa-o, caso venha a ser o próximo presidente de câmara, a sustentabilidade do centro de artes?
R> O centro de artes terá de ser rentabilizado e otimizado dentro das possibilidades financeiras da câmara municipal. Não pode ser o centro de todas as atenções, mas não pode ser – por eu não ter sido o maior entusiasta – uma obra que se mete de lado, como Aveiro tem feito – e mal – com o estádio. Águeda vai ficar provavelmente com o melhor palco do país e é obrigação do próximo presidente da câmara de Águeda otimizar e rentabilizar esse equipamento público. Tem é que ser bem pensado para ser sustentável.

P> De repente todos querem ser os continuadores da obra de Gil Nadais… Há uma clara “colagem” a Gil Nadais quer por sua parte quer pela parte da Lista Independente…
R> Não conheço nenhuma Lista Independente…

P> … Não foi apresentada ainda oficialmente, mas, como todos sabemos, vai avançar…
R> Não a conheço, por isso não falarei… Nunca estive contra Gil Nadais, sempre defendi Gil Nadais, aliás a Isabel Moreira é testemunha porque acompanha as Assembleias Municipais. Defendi Gil Nadais em 98% de tudo o que ele levou à Assembleia Municipal. Discordei em apenas 2%. A Democracia é isso mesmo!

P> Foi neste último ano que as criticas mais se fizeram ouvir…
R> Não! Ora vamo-nos recordar então bem dos pontos mais críticos entre mim e Gil Nadais… As vias cicláveis o que têm a ver com o último mandato? Nada! Tem mesmo a ver com o seu segundo mandato … Repare, o exercício de um cargo público pressupõe a defesa do interesse da população e nós temos a obrigação de, de forma leal, dizermos o que pensamos. Se não houver sentido crítico na sociedade, então isto deixa de ser uma sociedade, para passar a ser uma ditadura ou uma anarquia em que cada um faz o que quer. Mais do que estar contra Gil Nadais, eu questionei e pedi garantias. Foi isso que aconteceu relativamente à construção do centro de artes, mas também em relação a outras matérias. Isto é pensar no futuro do concelho e na minha terra. É essa a minha obrigação! Quem se demite de ser critico ou ser apoiante por meras questões estratégicas, não é politico nem nunca será.

P> As relações entre os dois azedaram a determinada altura… isso era visível…
R> As relações já foram melhores… mas nada me move contra Gil Nadais e penso que nada o move contra mim.

P> No entanto, não esteve do seu lado na hora de escolher o candidato à câmara municipal…
R> Isso é a democracia… Ao longo da vida, e especialmente na política, vamo-nos posicionando de formas diferentes, mesmo dentro do mesmo partido isso acontece. Repare, Gil Nadais esteve com José Seguro; eu com António Costa… Nunca me zanguei com ele por isso ou ele comigo. Gil Nadais foi sempre do meu partido; nunca foi contra mim nem eu contra ele. Defendi eu mais Gil Nadais do que qualquer outra pessoa neste concelho, tirando o José Marques Vidal que foi a pessoa que o ombreou comigo na Assembleia Municipal na defesa do executivo, mas especialmente de Gil Nadais. De facto ele é um líder incontestado!

P> Ficou desapontado que não o tivesse apoiado agora?
R> Em política quando as divergências são leais está tudo bem. Isso é liberdade de opinião. É isso que está no ADN do Partido Socialista.

P> E o processo da escolha do candidato à Câmara, foi um processo leal, na sua opinião?
R> Foi um processo correto! Havia mais do que um candidato e, por isso, decidiu-se fazer um debate entre os três perante toda a comissão política. Todos tiveram entre 10 a 15 minutos para falar e houve todo o tempo para que as pessoas que quisessem pudessem fazer perguntas aos três candidatos. Foi Edson Santos – que era o presidente da comissão politica concelhia na altura – que conduziu o processo nesse sentido que disse – penso que ao vosso jornal – que foi um processo limpo, transparente, de uma lisura e de uma transparência inquestionáveis. Não fui eu que disse! Eu não falei aos jornais, é a primeira vez que estou a falar. Na reunião da comissão politica concelhia foi feita uma pergunta aos três candidatos sobre que postura que adotariam em relação ao candidato que saísse dali vencedor. Foi ainda dirigida uma pergunta a Jorge Almeida, questionando-o sobre se seria candidato por uma Lista Independente contra o PS.

P> O que responderam?
R> O primeiro a responder fui eu e disse: se me quiserem para vereador eu vou; se me quiserem para deputado municipal, eu vou, se me quiserem para a Assembleia de Freguesia ou para presidente da Junta eu vou e se entenderem que o melhor para o partido é eu voltar aos Correios eu deixo a política ativa e vou, com uma garantia: pegarei no candidato mais votado, colocarei aos meus ombros e farei tudo para o levar à cadeira do poder. A segunda pessoa a responder foi o professor Francisco Vitorino, que disse não perceber o teor da pergunta, uma vez que aquele era um processo democrático e numa votação era obrigação de todos apoiarem o que dali saísse vencedor. Uma postura que demonstra lisura, respeito pelas regras democráticas, aliás é uma postura que tem conservado ao longo destes tempos e que quero aqui realçar.
A terceira pessoa a responder foi Jorge Almeida que disse que estava fora de questão ir numa lista independente ou contra o PS. E disse mais, que podia não ser a pessoa mais entusiasta em relação ao candidato que dali saísse, mas que apoiaria. E disse uma frase muito curiosa: até me podem ver num comício e repararem que estou com as mãos nos bolsos, mas também não me podem pedir mais do que isso. Repare, há uma frase que define este processo e que foi usada muito pelo Primeiro Ministro António Costa: Palavra dada, palavra honrada.

“Eu e Francisco Vitorino demos palavra dada e a palavra está a ser honrada”

P> Afinal quem não honrou a palava neste processo?
R> Eu e Francisco Vitorino demos palavra dada e a palavra está a ser honrada. Cada um faça o juízo que entender… Sobre este processo gostaria ainda de dizer o seguinte: havia a convicção – e a convicção é uma coisa forte – de que eu perdia as eleições se fosse o candidato do Partido Socialista… Então os quatro vereadores da câmara municipal ao fim de 12 anos de trabalho iria entregar o poder ao PSD? Isso seria um harakiri politico… Como tinham a convicção de que eles iriam ter um resultado brutal face ao grande trabalho que desenvolveram ao longo de 12 anos e devido ao facto de se arvorarem como os continuadores dessa obra, foram a Lisboa dizer que eu não tinha hipótese de ganhar as eleições.
Este processo demorou 40 dias porque o Partido Socialista ponderou a situação – e muito bem. Se quatro vereadores – que depois estranhamente falam com os presidentes de junta – todos dizem que eu perco… aliás este é um processo que eu perco sempre… eu ia perder na concelhia… e ganhei… eu ia perder as eleições, vamos ver… eu vou ganhar – o partido ficou com uma situação difícil em mãos. Afinal, a informação partia de quatro vereadores no poder há 12 anos (aliás não percebo porque é que o presidente da câmara tem de ir embora por causa da lei que limita os mandatos e os vereadores não… o principio da lei é correto, mas devia valer para todos. 12 anos é muito tempo para o presidente, mas não é para os vereadores?).

P> Foi quando o PS mandou fazer a sondagem…
R> O que diz a sondagem é que se Jorge Almeida fosse o candidato do PS teria 46% dos votos e que se fosse eu teria 44,5%. Repare, eu sou só presidente de uma junta, Jorge Almeida tem o pelouro das Juntas, é o vereador das obras públicas e da proteção civil. Jorge Almeida tem os pelouros que em noventa e tal por cento dos casos tem o presidente da câmara. E então ele não devia ter um resultado muito superior ao meu? Repare, que a sondagem tem 711 entrevistas validades (uma sondagem para o país tem entre 1100 e 1600 entrevistas). Em 835 telefonemas foram validados 711. É uma amostra muito significativa e muito real e transmite- me a mim e ao PS que Águeda foi tratada ao mais alto nível no partido.
Então acha que um homem como Pedro Nuno Santos iria decidir que era eu para perder a câmara, quando teve 40 dias a ver se de facto os fundamentos que lhe tinham dado eram reais?

P> Ainda houve uma tentativa de conciliação no dia em que foram a Lisboa?
R> Houve duas propostas: uma era fazer-se uma lista única e a outra fazer-se uma nova votação na comissão politica concelhia.

P> E qual foi a sua posição?
R> Disse que o estado a que chegou o “folhetim” – que foi todo passado na comunicação social – ao qual não acrescentei nada, de mim nada ouviram, que tinha chegado a um ponto de rutura, que era muito difícil aos cidadãos perceberem uma lista única. Quanto à votação aceitei porque nunca tive medo de ir a votos.

P> Quem culpa por todo este processo?
R> Quem dá a palavra e não a honra!. O professor Francisco Vitorino e o Jorge Almeida são independentes, não tinham nenhuma obrigação de participarem no processo. Todos estiveram presentes. O Senhor presidente da câmara esteve presente nas reuniões todas. Emitiu a sua opinião com frontalidade, com lealdade. Acha que as pessoas em 2017 entendem que há um processo democrático em que todos vão ao confronto, há uma votação aceite por todos e depois porque o resultado não é favorável não aceitam. O culpado do processo é quem não aceita as regras.

P> Diz que os vereadores se arvoram como continuadores do projeto de Gil Nadais… Não são, na sua opinião?
R> Não. Ninguém neste momento, na minha ótica, se pode arvorar como continuador… Porque Gil Nadais é uma personagem ímpar. Mas mais importante do que isso é perceber que um projeto político não são pessoas… as pessoas é que podem fazer parte de um projeto político. O que Gil Nadais colocou em prática foram ideias… uma conceção de desenvolvimento. Estamos aqui a falar em substituir Gil Nadais e dar continuidade aos projetos políticos. A pergunta que lanço à sociedade é estará alguém em condições, seja de que partido for, de ganhar a câmara municipal e fazer diferente? Claro que não! Alguém vai acabar com o Agitágueda? Alguém vai abandonar o parque empresarial do Casarão? Alguém vai deixar de limpar a Pateira? Alguém vai fechar os trilhos? Com certeza que não!

P> Teme que este “folhetim”, como lhe chama, possa prejudicar o resultado do PS nas autárquicas? Que ilações é que acha que as pessoas vão tirar do facto dos quatro vereadores dizerem com Paulo Seara não e os presidentes de junta terem vindo a “terreiro” dizer o mesmo, que não se reviam no seu projeto?
R> Conversei com os três presidentes de junta eleitos pelo partido depois de ter sido eleito candidato. Os presidentes de junta não tiveram necessidade de vir dizer nada, os quatro vereadores é que foram ter com eles a pedir. É diferente!

P> De qualquer forma as declarações que fizeram são públicas…
R> Claro que sim… o plano da amizade pessoal foi determinante nessa tomada de posição.

 

“Já tenho nomes na minha cabeça”

P> Já tem a sua lista à câmara feita?
R> Já tenho nomes na minha cabeça. Disse no meu partido que a escolha dos vereadores, deputados municipais e presidentes de junta não é uma incumbência minha, é uma incumbência do partido. Poderei apresentar nomes que também podem ser apresentados pelos meus camaradas do partido.

P> Está a ser difícil constituir listas?
R> Não tenho nenhuma dificuldade para constituir lista porque alguém que sabe o que é a política sabe que só tem legitimidade para abordar pessoas depois de ser ratificado e depois de ser de facto o candidato a candidato a presidente da câmara. Não falei com ninguém. No período dos 40 dias retirei-me, fiquei quieto e calado, porque essa era a minha obrigação. Não emiti qualquer opinião ou juízo de valor. Agora já estou mandatado pelos meus colegas da comissão politica para começar a trabalhar e só agora é que estou a iniciar todo o processo, com 40 dias de atraso… No dia 7 vai haver uma reunião da comissão politica onde vai ser eleito o secretariado e onde vão ser definidas funções para se começar a trabalhar. A partir daí é que se começará a trabalhar nas equipas.

 

“Não precisaria que ninguém me dissesse que me deveria demitir”

P> A concelhia vai retirar a confiança política aos vereadores caso formalizem a Lista Independente?
R> Se me perguntar o que é que eu faria, dir-lhe-ia que não precisaria que ninguém me dissesse que me deveria demitir de todas as funções pelas quais estava em representação do Partido Socialista. O que é que eu quero dizer com isto? Demitir-me-ia de militante, da comissão politica e de presidente de Junta.

P> Está a dizer que os vereadores se deveriam demitir…
R> Não, estou a dizer que se fosse eu demitir-me-ia… Não podemos estar em dois lados ao mesmo tempo! Eu sou presidente de junta porque estou na lista do Partido Socialista… estou a representar algo e no dia em que entendo que hei-de ir contra o partido eu vou continuar a usufruir das vantagens que o partido me dá mas a querer avançar para aquilo que me dá jeito?

P> Mas a retirada de confiança política está ou não em cima da mesa?
R> Essa é uma questão que está na consciência de cada um… em 2017 as pessoas já têm uma visão do mundo e da democracia e do que é a moral, do que são os princípios e do que é a ética suficientemente lata e alargada para que cada um tire a conclusão que quiser acerca deste processo. Eu estou aqui para falar do futuro de Águeda…

P> Falemos então do futuro de Águeda e das suas ideias para esse futuro… O que vai fazer por Águeda?
R> Tudo aquilo que fiz ao longo da minha vida. Pensar, conversar com as pessoas, discutir e ver quais os melhores caminhos para Águeda.

P> Vai fazer alguma rutura em relação às políticas que têm vindo a ser seguidas? Por exemplo na educação, sabemos que não era este o projeto que defendia…
R> Há coisas que são muito sérias e a educação é uma delas. Eu divergi do modelo de educação que Gil Nadais defendeu e que o PSD e o CDS-PP defenderam, estive mais alinhado com o Partido Socialista. Mas mais importante daquilo que eu penso é aquilo que o coletivo decide. Se a Assembleia Municipal, que representa a população de Águeda, decidiu abraçar o “Aproximar mais”, é minha obrigação dar continuidade ao projeto.

 

“Conheço o Edson Santos há 20 anos e era amigo dele”

P> Sai com alguma mágoa deste processo da escolha do candidato à câmara?
R> Saio! Só por uma razão. Eu conheço o Edson Santos há 20 anos e era amigo dele e a pior coisa que a gente pode ter na vida é perder um amigo. Essa é uma mágoa profunda que tenho.

P> Já disse que vai dar continuidade ao Agitágueda, ao Parque Empresarial do Casarão… não sabemos quais as suas ideias em relação ao futuro do parque…
R> O parque empresarial do Casarão é a grande obra de Gil Nadais. Gil Nadais faz em Águeda algo que devia ter sido feito há 30 / 40 anos.

P> O PSD defende a criação de um parque a norte do concelho…
R> O PSD quer um parque empresarial a norte, foi também falado num parque em Fermentelos e em Valongo. Mas é curioso que o PSD esteve 30 anos no poder e não fez nenhum parque empresarial e agora quer fazer tudo em todo o lado. Mais importante do que se fazer um novo parque empresarial é concluirmos, dinamizarmos e melhorarmos o atual. Porque o que é importante é que Águeda continue a ser fabricador de riqueza para o país como é desde 1890 quando começou aqui a indústria. Águeda sempre foi fabricador de riqueza, sempre foi um potenciador do emprego. E o parque empresarial do Casarão tem ainda várias etapas a cumprir. Antes tenho mesmo de dar continuidade à política de Gil Nadais de encontrarmos uma solução para recentrar Águeda na rede viária do país. Esse é que deve ser o grande empenho. Mais do que criar um novo parque empresarial é criarmos acessibilidades às grandes vias nacionais e europeias. Criarmos uma ligação eficaz à A25, à A1 e à A17.

P> E como e que vê a recente opção do presidente da câmara de lutar por um nó a sul do concelho?
R> Gil Nadais tem a inteligência e a astúcia política de perceber que as quimeras e os sonhos dos D. Quixotes não resolvem o problema do concelho. E eu aí estou inteiramente de acordo com ele. O que é que me interessa pensar grande se o país não tem dinheiro para fazer uma obra ao encontro do meu pensamento? O que é que me adianta querer fazer uma autoestrada de Águeda para Aveiro se todos sabemos que não há financiamento europeu nem o Estado tem condições de a fazer. Gil Nadais inteligentemente pensou que mais do que sozinho, em cooperação com os concelhos vizinhos de Anadia e de Oliveira do Bairro, será possível porque a força política e a representatividade é muito maior e será possível fazer uma ligação rápida Águeda autoestrada. Não é isso que temos reclamado? Nunca ouvi ninguém na rua armado em engenheiro a dizer para onde é que devia ser a estrada. Gil tentou a ligação Águeda-Aveiro, foi lançada a primeira pedra e depois foi abandonada devido à crise económica e, neste momento, há essa possibilidade e é nessa que temos de apostar todos!.

P> O crescimento do parque empresarial coloca muitos e novos desafios a Águeda…
R> Sabe onde foi a primeira fábrica de ferragens em Águeda? Foi na Rua Soberania do Povo. E por aqui está explicado. Sabe onde é que era o Silva Irmão? Ao lado da capela S. Sebastião. Sabe onde é que era o Joaquim Valente de Almeida? Na estrada nacional nº. 1. Sabe onde era a fábrica do meu bisavô o Amaro Lda.? É onde é hoje a Santa Casa da Misericórdia. Repare, que Águeda tem uma característica ímpar. Sempre nos soubemos adaptar aos novos tempos, sempre soubemos ter a inteligência de saber crescer, sempre soubemos ter a inteligência de nos adaptarmos e sempre fomos fortes a criar riqueza para o país. Os nossos empresários, o nosso tecido empresarial sabe o que é preciso. Portanto, os desafios do parque empresarial é a chamada a oportunidade de crescermos. Já estamos, neste momento, a enfrentar dois problemas: a falta de mão de obra qualificada e de habitação. Neste momento, Águeda não há casas para arrendar. E estamos a esquecer-nos de um outro problema que são os transportes públicos. Se calhar, pelos números apresentados pelas diferentes empresas, Águeda vai ter um corrupio de gente em direção ao Casarão e, se calhar, pode potenciar o aparecimento de transportes públicos. Ou seja, o parque empresarial do Casarão é mesmo uma oportunidade para podermos dar o salto. Como os diferentes booms da indústria de Águeda obrigaram Águeda a dar o salto. Este é o momento de dar o salto.

 

Paulo-Seara-(9)

“Este é o momento de também se avançar para as freguesias”

P> Também não foi um grande entusiasta da regeneração urbana?
R> Disse uma vez na Assembleia Municipal que se calhar o tipo de intervenção que foi feita não era a que eu mais gostava, mas que havia uma coisa muito interessante. Só não é criticado quem não faz! Está feito e eu penso que as pessoas acham que está mais agradável. A cidade pode é estar menos fluída em termos de trânsito, mas transformou-se. Está mais atrativa! Compete-nos, agora, complementar a cidade com aquilo que está à volta. Este é o momento de também se avançar para as freguesias e eu vou dar um grande enfoque às freguesias.

P> O PSD tem razão quando diz que Gil Nadais e a sua equipa descuraram as freguesias?
R> Gil Nadais é o presidente da câmara que no Distrito de Aveiro mais dinheiro dá às juntas de freguesia. Outra questão é se eu estou satisfeito com o dinheiro que ele dá… Não! Mal é o politico que é resignado e que acha que o dinheiro é suficiente. Curiosamente o PSD devia ter dito ao presidente da Câmara Municipal de Aveiro que devia dar dinheiro aos presidentes de junta porque dava zero.

P> O que significar dar mais enfoque às freguesias? É um presidente de Junta e membro do conselho geral da ANAFRE… Vai agir de maneira diferente em relação às freguesias?
R> Sim! Vão ser os principais parceiros na gestão do município. Gil Nadais dizia que o dinheiro era bem aplicado por isso é que o dava às juntas, se é bem aplicado, aí está eu vou dar continuidade à sua politica e reforçar os meios técnicos, humanos e financeiros para que o trabalho de proximidade, para que o pequeno problema que tem que ser resolvido e que melhora a qualidade de vida seja feito pelas freguesias. Uma camara municipal tem de tratar do que é macro; uma junta de freguesia tem que tratar do que é micro. Por muitas coisas macro que se faça, se nós descurarmos o que é micro a qualidade de vida das pessoas não é a melhor. Podemos ter acesso a equipamentos muito bons, mas saímos de casa e sujamos os pés na lama.

 

Desporto, cultura, IPSS’s…

P> Qual a sua opinião em relação à política desportiva que tem sido seguida no município?
R> Parece-me que foi melhorando, mas é preciso uma política municipal integrada desportiva, em que haja interligação entre todos os setores da comunidade (escola, associações, câmara), o desporto deve ser visto como uma forma de saúde, de melhorar a qualidade de vida das pessoas, e obrigar os agentes a interligarem-se e a haver de facto uma política municipal de desporto. Hei-de recorrer a pessoas entendidas na matéria que me ajudem a elaborar um projeto para dar esta dimensão à política, onde as juntas de freguesia também serão chamadas. Mais do que uma política de apoio às instituições é também as instituições desportivas fazerem parte da política desportiva municipal.

P> E a política cultural tem avaliação positiva da sua parte?
R> Muito positiva! Águeda é uma terra que quase nem precisa da câmara municipal para ter uma boa política cultural. Até nisso somos sui generis, temos cinco bandas de música, 17 ranchos folclóricos e uma série de coletividades recreativas, desportivas e de lazer enorme. E, portanto, a câmara tem de potenciar isso. Tenho uma visão que a câmara deve ser sempre o potenciador para que toda a gente tenha acesso àquilo que muita gente não tem.

P> As Sextas Culturais é para continuar?
R> Com esse nome ou outro tem de continuar… Tem de haver uma política de cultura concelhia. Potenciar o que temos, trazer coisas diferentes. A câmara municipal tem de potenciar a formação nas diferentes áreas.

P> As IPSS enfrentam constrangimentos graves. Que papel pode ter a autarquia aí?
R> A câmara tem de fazer o que foi fazendo ao longo dos anos e tem de se criar uma rede efetiva de ação social. Têm sido dados passos significativos nesse sentido, veja-se a criação da União Concelhia da IPSS´s, é a primeira união no país. Este é um sinal dos tempos e é também um sinal da ação politica que Gil Nadais impôs na área social. Temos de cada vez mais, para todos podermos sobreviver, trabalhar de facto em rede. Não basta dizer que trabalhamos em rede, temos de trabalhar mesmo para o bem comum, não podemos trabalhar apenas para a minha instituição só.

 

 

“Para a continuidade Gil Nadais escolheu Francisco Vitorino”

P> Porque é que os eleitores devem votar em si e não na Lista Independente?
R> As pessoas veem-me como um homem sério, trabalhador, disponível e empreendedor. E um homem para quem palavra dada é sempre palavra honrada. Darei sempre o máximo – como sempre fiz – pela minha terra.

P> Com uma experiência de 12 anos na câmara, Jorge Almeida e os restantes vereadores não estarão melhor preparados para gerir a autarquia?
R> As pessoas deviam interrogar-se… Repare, os três vereadores estiveram 12 anos como vereadores e o Dr. Edson Santos esteve oito como chefe de gabinete e quatro como vereador. Mas é curioso que para a continuidade Gil Nadais tenha escolhido Francisco Vitorino. Acerca disso cada um que faça a reflexão que quiser. Quem trabalhou 12 anos com a equipa não fui eu!

Região de Águeda - edição de 5 de abril de 2017

Região de Águeda – edição de 5 de abril de 2017

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