Concertos, ambiente e inclusão marcam 14º. Agitágueda

Edson Santos

Preocupações ambientais e de inclusão marcarão a 14ª. edição do Agitágueda, que arranca já no dia 6 de julho, com Gipsy Kings. Edson Santos, em entrevista ao RA, fala das novidades deste ano, que passarão por concertos traduzidos em língua gestual, uso de copos reutilizáveis e tributo ao Japão através da instalação dos chapéus coloridos

P> Quais as principais novidades previstas para esta 14ª edição do Agitágueda?
R> Vamos continuar a apostar fortemente na animação de rua e na arte urbana, com destaque para o body paiting e o Carnaval fora d`Horas. A maior novidade prende-se com a grande aposta na sensibilização ambiental. Iremos ter, pela primeira vez, no recinto, copos reutilizáveis, com o objetivo de reduzirmos significativamente o plástico. Inclusive a temática do body painting e do encontro de estátuas vivas vai estar relacionada com o tema do ambiente, do lixo e da água, mais concretamente. O objetivo é, através da arte, sensibilizar todos os que nos visitam para essa componente ambiental, incentivando às boas práticas. Também pela primeira vez essas duas atividades envolverão alunos da Marques de Castilho e da Adolfo Portela, que vão participar em residências com artistas internacionais.

BABYSITTING E PISTA DE GELO

P> E em termos de espetáculos?
R> Vamos apostar mais em ter bons espetáculos durante a semana e não só aos fins de semana. Também o Agitakids terá, este ano, disponível um serviço de babysitting e uma pista de gelo, ou seja, há aqui também uma preocupação de reforçar as atividades para os mais novos, fazendo do Agitágueda uma festa para toda a família.

P> Que concertos destacaria do cartaz?
R> As propostas são ecléticas e isso depende muito do gosto de cada um, mas penso que logo no primeiro dia vamos ter muita gente com o concerto dos Gipsy Kings, até porque se sente que as pessoas têm saudades do Agitágueda. Este ano, houve também uma grande preocupação em ter propostas para o público mais juvenil, com concertos de artistas e bandas mais ao gosto de uma faixa etária jovem.

CONCERTOS TRADUZIDOS EM LÍNGUA GESTUAL

P> Em termos de espaço mantém-se tudo igual?
R> Sim, mas vamos fazer um melhor aproveitamento do Largo 1º. de Maio, tentando criar mais espaço para receber melhor quem nos visita, sobretudo em noites de maiores enchentes. Vamos enquadrar de forma diferente a zona dos vendedores ambulantes. No fundo, tudo o que estamos a fazer tem como único propósito proporcionar a melhor experiência do evento a todos os que nos visitam. É nesse sentido também que, este ano, pela primeira vez, vamos ter alguns concertos traduzidos em Língua Gestual, porque queremos que o Agitágueda seja um evento para todos, inclusivo, pelo que, pelo menos dois concertos irão ser traduzidos, já este ano. Haverá ainda uma grande preocupação ao nível das acessibilidades de pessoas com mobilidade reduzida. Iremos igualmente ter mais jovens voluntários nas ruas a darem informações aos turistas, com a preocupação de lhes transmitir que poderão visitar outros pontos de interesse no concelho. Há também uma preocupação grande por parte dos funcionários da autarquia, do comércio tradicional e das pessoas que vivem em Águeda procurarem ter a cidade arranjadinha e limpa. Todos têm vindo a colaborar para que as coisas corram melhor e isso também tem facilitado o nosso trabalho.

P> Acha que há, então, uma maior sensibilidade e colaboração da parte do comércio e da restauração?
R> Sim, temos procurado fazer esse trabalho de sensibilização, no sentido de que nos ajudem a receber bem as pessoas. Que os restaurantes disponibilizem as ementas em língua estrangeira, ou pelo menos em inglês, que tenham um bom serviço para que as pessoas gostem e voltem noutras alturas. O que se pretende é que os comerciantes não encarem o Agitágueda como uma oportunidade para fazerem dinheiro durante um mês, mas que mostrem aquilo de bom que temos para oferecer. Repare, são muitas vezes os comerciantes que, quando veem pessoas perdidas na rua, se abeiram delas e lhes oferecem ajuda e informação.

ECRÃS TAMBÉM FORA DA TENDA

P> E na tenda gigante mantém-se tudo igual?
R> De ano para ano, vamos introduzindo algumas melhorias, a partir da experiência de anos anteriores. Este ano, vamos ter ecrãs fora da tenda, para que todas as pessoas possam ver, quando não têm lugar no interior. Obviamente que é difícil em dias de enchente, como as que temos tido, ter as condições ideais. Queremos que as pessoas voltem e que levem a imagem de Águeda como sendo uma cidade dinâmica e com vida.  Temos sentido também da parte das agências de viagens interesse em conhecer o programa e incluir a passagem por Águeda nos pacotes que disponibilizam aos turistas.

P> E a parte alta da cidade não vai ter razões de queixa desta vez?
R> A baixa da cidade reúne todas as condições para receber as instalações dos chapéus e tudo o resto, mas acho que cada vez mais temos conseguido atrair as pessoas que visitam os chapéus na baixa da cidade para a alta, com a aposta na arte urbana e nas animações de rua. Temos o roteiro da arte urbana através de uma aplicação, que penso que é única ainda no país.

P> Teremos nomes conceituados na área arte urbana?
R> Estamos a encontrar a melhor localização para a instalação de uma obra de Bordalo. Temos tido alguma dificuldade devido ao incremento da requalificação dos prédios. Além disso vamos ter várias instalações no jardim da Praça do Município e na parte alta da cidade, para atrair pessoas para lá. Estamos também muito recetivos a parcerias com entidades privadas, que tenham interesse em associar-se ao evento de alguma forma.

SILENCE PARTY COM MAIS FONES

P> E vamos continuar a ter a “Silence Party” a abrir?
R> Sim e com mais fones para que mais pessoas possam ter acesso e para diminuir as filas de espera. Teremos, este ano, cerca de dois mil fones. Vamos também voltar a fazer a apresentação do evento no Sal, em Aveiro, para atrair mais pessoas daquela cidade.

 

“Impacto na economia local vai ser medido”

P> E qual o orçamento para este ano?
R> Tem mantido sensivelmente o mesmo valor dos anos anteriores, rondando os 650 mil euros. Mas mais importante que o orçamento é o retorno que o Agitágueda dá a Águeda. E para que fiquemos a conhecer os números desse retorno, contratámos uma empresa para medir o impacto do evento na economia local, nomeadamente na hotelaria e na restauração em geral. De forma mais empírica percebemos que o Agitágueda tem um impacto muito positivo, mas queremos com números mostrar quanto vale, até mesmo junto dos eventuais patrocinadores. Às vezes ouvimos dizer que não se devia investir tanto no Agitagueda, mas veja-se o investimento que é feito em concelhos vizinhos em eventos do género. É importante termos presente a ideia de que os municípios hoje concorrem uns com os outros. A partir do momento em que Águeda pare com este investimento fica esquecida, porque hoje a dinâmica cultural já é um critério, entre outros, na hora de escolher uma cidade para viver.

P> E a instalação dos chapéus vai ter alguma novidade?
R> Sim, o tema vai ser o Japão, fruto do trabalho de divulgação que fizemos junto daquele país, por isso os chapéus serão diferentes.

P> Quando começam a ser instalados?
R> No final deste mês, portanto uma semana antes do evento.

(entrevista publicada na edição impressa de 19 de junho de 2019)
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