“Pretendo ajudar as pessoas a superar a perda”

Joana Castilho

Joana Castilho, fruto da atividade profissional da família, sempre lidou com o luto e isso fez a jovem psicóloga ir à procura de formação na área da psicologia do luto para ajudar as pessoas a superarem as suas perdas. “Desde cedo, procurei entender o que era o luto, ou seja, o que é que a pessoa vivencia, as emoções sentidas, as diferentes reações à perda”, refere em entrevista ao Região de Águeda

P> A Joana lida com o luto diariamente e desde muito cedo pelo facto de estar ligada a uma funerária. Foi isso que a levou a procurar mais conhecimento sobre como ajudar as pessoas a lidarem com o luto?
R> De facto foi uma área que sempre me suscitou interesse. Tenho formação em psicologia, mas a psicologia envolve muitas áreas de atuação e, ao longo do meu percurso profissional, sempre fui procurando frequentar ações de formação na área de psicologia do luto. Desde cedo, procurei entender o que era o luto, ou seja, o que é que a pessoa vivencia, as emoções sentidas, as diferentes reações à perda, resumindo o que definitivamente sente uma pessoa enlutada.

P> Desde há algum tempo que tem apostado em fazer formação nessa área. Que tipo de formação já fez na área?
R> A última ação de formação que frequentei foi de aconselhamento de apoio ao luto no Centro para o Equilíbrio Emocional (Cfeliz), cuja formadora e psicóloga assume presença em programas televisivos e é coordenadora de grupos de apoio às pessoas em luto. Frequento, sempre que possível, todas as formações e workshops sobre o tema, nomeadamente na Ordem dos Psicólogos Portugueses, da qual sou membro efetivo. Recorro a bibliografia específica acerca do tema e procuro sempre atualizar-me e aprender mais sobre esta temática tão sensível e infelizmente pouco explorada. Atualmente, ministro formação na área de psicologia do luto.

“O LUTO É UMA REAÇÃO A UMA PERDA PESSOAL PROFUNDA”

P> Tem um projeto ligado ao luto. Pode falar-nos um pouco sobre o que pretende fazer?
R> Pretendo com os conhecimentos adquiridos ajudar as pessoas a superar a perda, isto porque, quando falamos em luto associamos à morte, mas, na realidade, o luto não significa apenas perder alguém fisicamente. O luto é uma reação a uma perda pessoal profunda e dentro dessas perdas temos várias que podem incluir uma perda gestacional, a separação conjugal, a perda de fatores importantes na vida como condição financeira, emprego ou curso, uma doença grave, a morte de um animal de estimação, a emigração, entre outras.
A duração e intensidade de cada vivência do luto variam de indivíduo para indivíduo e cada pessoa tem a sua maneira de lidar com os sentimentos e com a perda.
Acredito que a terapia iniciada logo após a perda tem muitos benefícios, não só pela terapia mas pelo aconselhamento prestado. O conselheiro do luto não dá conselhos às pessoas enlutadas, ajudamo-las a encontrar o seu caminho do luto a fim de lhes facultar as suas próprias “ferramentas”, com o objetivo de capacitá-las para se reorganizarem emocionalmente e adquirirem um comportamento adaptativo face à perda.

(entrevista completa na edição da semana de 8 de janeiro de 2020 – versões e-paper e impressa)
Autores

Notícias Relacionadas

*

Top