Programa Life Águeda: Reabilitar e gerir os rios de Águeda para dar mais valor à pesca e ao pescado

LIFE ÁGUEDA

Construir passagens de peixes, remover obstáculos nos cursos dos rios, ter uma “intervenção de proximidade” com proprietários e pescadores e promover uma “gestão sustentável” da pesca são quatro grandes objetivos do projeto LIFE Águeda, apresentado publicamente no salão nobre da Câmara Municipal de Águeda na passada sexta-feira

Pedro Raposo de Almeida, da Universidade de Évora e coordenador do projeto, apresentou detalhadamente o LIFE Águeda, em sessão que contou com a presença do presidente da Câmara de Águeda, Jorge Almeida.

O LIFE Águeda visa a implementação de um conjunto de medidas para restaurar a “morfologia fluvial” e reabilitar os habitats da Bacia Hidrográfica do Vouga, com ações diretas especialmente no Águeda e Alfusqueiro.

O projeto, que se iniciou a 1 de agosto de 2017, estende-se até 31 de julho de 2022. O investimento é de 3,3 milhões de euros, 60 por cento dos quais com comparticipação comunitária (quase dois milhões de euros). A Câmara de Águeda é um dos parceiros, juntamente com outras entidades públicas e privadas.

 

VALORIZAÇÃO DO PESCADO E DA PESCA

A Universidade de Évora, segundo Pedro Raposo de Almeida, tem 20 anos de experiência “com forte implicação na zona centro”, apresentando a experiência “bem-sucedida” na Bacia Hidrográfica do Mondego como certificado.

O LIFE Águeda espera instalar três passagens para peixes – experiência precisamente adotada no Mondego -, 51 quilómetros de rio com “estado ecológico melhorado” e conseguir uma “redução significativa de flora invasora” em 30 hectares de margens. Pretende restaurar 13,5 hectares de galerias ripícolas e remover oito barreiras.

O LIFE Águeda tenciona promover “soluções-piloto” para valorização do pescado e da pesca, desde logo propondo um acréscimo até 15% de várias espécies de peixes. Haverá um programa de translocação de juvenis de enguia europeia (espécie ameaçada) e uma “gestão da pesca”.
Para a equipa da Universidade de Évora, é expetável que a “gestão sustentável” da pesca permita “aumentar o rendimento da pesca”, tendo em conta também o acréscimo de peixe e o objetivo futuro do peixe ser comercializado com selo, dando-lhe outro valor de mercado.

 

PROXIMIDADE COM PESCADORES E PÚBLICO EM GERAL

Pedro Raposo de Almeida referiu que tem sido muito positiva a relação da equipa de trabalho com associações de pescadores. “A aceitação tem sido fantástica”. Tem sido cultivada uma relação de proximidade com proprietários e pescadores. A ideia é mesmo que os pescadores tenham acesso à informação de gestão.

O universitário lembrou que o Rio Vouga é a única rede natura no país que protege peixes migratórios, como garantia de livre circulação dos peixes. Daí que os rios Alfusqueiros e Águeda mereçam atenção prioritária para desobstruir o que impede a livre circulação dos peixes.

Foi já feito “um levantamento exaustivo dos obstáculos, a pé e a nado”, enfatizou Pedro Raposo de Almeida, que anunciou ainda a instalação de duas antenas, permitindo que os peixes com chips sejam seguidos e forneçam “informações preciosas”.

Pedro Raposo de Almeida anunciou ainda que Águeda irá contar com um espaço interpretativo, com espécies nativas e outras, para mostrar às pessoas que “há muita vida nos rios para além da vida que se vê à superfície, e com importância económica”. O objetivo é chegar ao público em geral, principalmente aos mais novos. Serão possíveis visitas à passagem de peixe em Coimbra, no rio Mondego.

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