PSD perdeu 20% dos eleitores na oposição em Águeda

Câmara Municipal de Águeda

Uma análise cuidada das percentagens eleitorais para a Câmara Municipal de Águeda permite concluir que o PSD nunca teve um resultado tão modesto como o de 1 de outubro último e que o PS regressou a números próximos dos anos 80 do século XX.

A tendência de descida contínua do PSD manteve-se e o pico do PS, atingido nas três eleições anteriores já com o contributo de alguns social-democratas, transferiu-se agora para o movimento independente. O PS não capitalizou com o poder autárquico; e o PSD não foi capaz de recuperar o eleitorado que lhe dava conforto nas autárquicas até princípio deste século, mesmo tendo em conta as divisões recentes dos socialistas, que dariam origem ao Juntos.

Evolução dos resultados eleitorais para a Câmara Municipal de Águeda

Evolução dos resultados eleitorais para a Câmara Municipal de Águeda

PRIMEIRAS ELEIÇÕES MAIS RENHIDAS

Outro dado importante na evolução dos resultados dos partidos em Águeda permite verificar a erosão acentuada sentida pelo CDS (teve sempre mais de 20% até 1993), tendência que se verificou a partir dos anos 90 mas com consequências no executivo já este século. A partir das eleições em que se coligou com o PS, em 2001, o CDS não conseguiu chegar aos seis por cento do eleitorado quando voltou a concorrer sozinho.
Nas eleições até 1989, o CDS rivalizava com o PS como segundo partido mais votado em Águeda. Nessa época, o PSD, tendo embora a maioria, vencia com vantagens de cinco a 10% (em 1985 foram mesmo 64 os votos de vantagem para o CDS); apenas a partir de 1989 começou a ter votações mais expressivas, uma próxima e as restantes acima dos 40 por cento.
As diferenças mais notórias entre a força política mais votada e as restantes candidaturas começaram a verificar-se com a tendência de bipolarização nos anos 90, atingindo expressão máxima em todas as eleições deste século – nas quais se verificaram maiorias absolutas. As duas mais significativas aconteceram quando houve coligações por parte da “oposição” mais direta: do PS com o CDS contra o PSD (2001) e do PSD com o CDS contra o PS (2013), mesmo que neste último caso o número de votos efetivos no PS tenha diminuído.

COLIGAÇÕES PENALIZADAS

Pode mesmo dizer-se que os partidos que optaram pela coligação foram castigados pelo eleitorado. Quer o PS em 2001 quer o PSD em 2013 obtiveram em coligação menor percentagem que concorrendo sozinhos nas eleições imediatamente anteriores.
A percentagem obtida pelo Juntos nesta sua maioria absoluta, em 1 de outubro, aproxima-se bastante do valor atingido na primeira eleição do PS em 2005. Desde aí, o PSD perdeu 20 pontos percentuais mas a tendência de descida tem sido permanente desde que deixou de ser poder em Águeda.
Já a CDU, que no início deste ciclo de eleições autárquicas oscilou entre os cinco e os 10 por cento, está cada vez mais distante das percentagens iniciais. Em 2005, quando surgiu o BE, as duas forças políticas de esquerda somaram 5,40 por cento; em 2017, essa soma ficou-se pelos 3,02 por cento.

Augusto Semedo
Autores

Notícias Relacionadas

*

Top