Regeneração.degenerada@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

Não vou repetir-me sobre a falta de oportunidade, nos tempos que correm, da realização de algumas obras do plano de regeneração urbana de Águeda. Gastam-se milhões para destruir e refazer o que estava feito, sob o pretexto de que “há apoios que pagam parte das obras”, como se isso justificasse tudo. Mas adiante. Vamos dar o benefício da dúvida, e assumir que, apesar dos custos, as obras acabam por melhorar as zonas intervencionadas. Ou, pelo menos, era assim que deveria ser…

A intervenção na margem norte do rio, na baixa da cidade, está a tornar aquele espaço muito mais agradável à vista. Isso é inegável. Mas as falhas de concepção e execução do projecto são demasiado evidentes para passarem em claro.

Deixo apenas dois ou três exemplos: começo pelo muro parcialmente feito de vidro. Será que pensam que não há vandalismo em Águeda? Quanto tempo acham que os vidros vão durar inteiros? Mais: a configuração do muro é perigosa para as crianças, que poderão utilizá-lo como degrau e cair ao rio com facilidade.

Parece, também, que o projectista se esqueceu da praça de táxis ali existente. Agora, para colmatar a falha, optaram por ocupar com táxis os preciosos lugares de estacionamento criados na zona frente ao banco, quando teria sido fácil incluir um espaço na zona onde originalmente estavam.

Finalmente, será que ninguém previu o que vai suceder aos estabelecimentos comerciais (ourivesaria, restaurante, confecções, cabeleireiro) quando houver cheias ou chuva intensa? A vala criada frente às lojas vai acolher tanta água, que nem de galochas poderemos ir “aparar o que resta do cabelo”…

Um responsável da CMA terá dito a alguns comerciantes da zona que o projectista era de fora de Águeda, e que talvez não conhecesse suficientemente a realidade daquele espaço. Mas, se é assim, qual o papel dos técnicos da CMA perante estas evidências? Não deveriam chamar a atenção dos responsáveis para, em devido tempo, se proceder às correcções necessárias? Convido os leitores a deslocarem-se ao local e constatarem estes erros. Não é preciso ser engenheiro ou arquitecto para reconhecer o óbvio…

 

Piquetes.criminosos@Portugal.pt

 

Mais uma vez, não posso deixar de expressar a minha profunda indignação contra essas “eminências” conhecidas por “piquetes de greve”. Apesar de não estarmos perante uma greve convencional, falando-se, inclusive, na existência de um lockout, prática ilegal no nosso país, os inevitáveis “piquetes” surgem em todo o seu esplendor.

Logo no primeiro dia deste protesto, contava-me o funcionário da transportadora que diariamente recolhe mercadorias na minha empresa, que “teria de despachar-se, porque se chegasse à Mealhada depois das seis, não o deixavam(!) passar”. Mais: contou-me que foi forçado a parar durante mais de duas horas, de manhã, sob ameaças de vidros partidos, até que o coordenador da transportadora se deslocasse ao local para tentar “negociar a libertação” dos veículos da empresa. Contou-me, ainda, que durante esse período, assistiu ao consumo de várias garrafas de whisky entre os energúmenos, que pareciam eufóricos, num estranho clima festivo. Pior: sempre que a polícia se dignava aparecer, permitindo a passagem de alguns camionistas, havia “protestantes” em viaturas ligeiras que, avisados pelo piquete, alguns quilómetros mais adiante, atacavam os “fura-greves” à pedrada.

Fiquei perplexo. Fiquei siderado. Fiquei indignado. Mas o que é isto???!!! Que país é este onde as autoridades permitem tais comportamentos criminosos?

Não está aqui em causa a justeza dos protestos. As transportadoras (e os motoristas) têm muitíssimo de que se queixar. Desde o preço dos combustíveis, ao roubo nas SCTU’s, passando pela obtusa lei laboral, o sector está a beira da ruptura, e algo terá de ser feito. O que não pode tolerar-se, no entanto, são estes crimes contra a liberdade dos cidadãos. Nem na estrada, nem nas fábricas, nem em lado nenhum. A greve é um precioso direito, conquistado a muito custo, mas não pode ser instrumentalizada, seja por quem for, para coarctar liberdades individuais.

Um amigo meu, pessoa razoável e moderada, é, no entanto, simpatizante desta luta (e desta forma de luta). Quando, na mesma frase, utilizou as expressões “condeno actos de violência” e “mas…”, para mim a discussão terminou. Não há “mas nem meio mas”. Estes piquetes de criminosos que se dizem camionistas, não podem fazer isto. Nem agora, nem nunca.

(*) Vice-presidente do PSD/Águeda

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