REGIÃO DE ÁGUEDA | 21 anos. Como foi a primeira edição?

Capa da primeira edição do Região de Águeda, em 30 de outubro de 1998

Sexta-feira, 30 de outubro de 1998. Portugal despedira-se da Expo’98, o Escudo ainda era a moeda e Águeda sofria com todo o intenso trânsito da EN1 sem variante. A edição n.1 do Região de Águeda destacava, em manchete de primeira página, a inauguração da segunda fase do laboratório de ensaios da ABIMOTA. “Representa um passo importante para o controlo da qualidade no sector das duas rodas”, escrevíamos então.

Manuel Castro Azevedo era, desde há um ano naquele 1998, o presidente da Câmara Municipal de Águeda. Recebia uma carta de Manuel São Bento, na época presidente da comissão política concelhia do PS, a felicitar-lhe por ter sido eleito presidente da concelhia do PSD, passando assim a acumular funções na presidência de um partido e de uma autarquia. “O meu Exmo. amigo conseguiu alcançar o objectivo que todos os seus antecessores, sem sucesso, perseguiram (…) claro que isso lhe traz responsabilidades acrescidas”, reproduziu o Região de Águeda, que titulou a peça como «Parabéns à moda do PS».

O atual presidente de câmara Jorge Almeida, em 1998 na liderança da Junta de Freguesia de Macinhata do Vouga, lutava pelo comboio juntamente com a população da freguesia; Luis Fernandes desvendava a edição do Outonalidades; e as Memórias descobriam gente que fez história em Águeda e na Região

O atual presidente de câmara Jorge Almeida, em 1998 na liderança da Junta de Freguesia de Macinhata do Vouga, lutava pelo comboio juntamente com a população da freguesia; Luis Fernandes desvendava a edição do Outonalidades; e as Memórias descobriam gente que fez história em Águeda e na Região

AS FREGUESIAS

O rapto de emigrantes de Ois da Ribeira na Venezuela foi outro destaque na edição inaugural; mas o jornal deu-se ainda a conhecer relevando na sua capa temas das freguesias, que passaram a ter no Região de Águeda um interlocutor privilegiado.
– Em Aguada de Cima, a LAAC reclamava apoios para as obras sociais que decorriam (visitadas por um secretário de Estado, a convite de Albano Abrantes, na época presidente da instituição e atualmente presidente da Junta de Freguesia); e havia também um caso de abuso sexual contra menores;
– Em Macinhata do Vouga, era a luta da autarquia e da população pelo comboio. “Comboio, o coração e a razão”. Na rubrica “Poder Local”, Jorge Almeida (atual presidente da Câmara de Águeda) era ouvido na qualidade de presidente da Junta de Freguesia Macinhatense. Pela população, davam a cara Luísa Quaresma e Manuel Saraiva.
– Em Casal d’Alvaro, a Banda Alvarense já podia contar com terreno para construir a sede que tem hoje;
– Em Aguada de Baixo, o Paraíso Social executava as obras das suas instalações sociais, convidando a população a visitar o empreendimento no dia 8 de novembro;
– Em Macinhata do Vouga, a estrada para Alombada era inaugurada;
– Em Castanheira do Vouga, decorriam obras na igreja, edifício secular reconstruído no séc. 18.
– Em Recardães, o Centro Comunitário estava quase pronto, e em breve o novo equipamento juntar-se-ia ao Centro Social e Paroquial. João Paulo Sarabando era pároco na freguesia e também colaborou com o Região de Águeda: como colunista da rubrica “Religião e sociedade”, falou dos mortos, dos vivos e dos “mais ou menos”.

O bairro do São Pedro, a 500 metros do centro da cidade, apenas recebeu infraestruturas básicas e alcatroamento de estradas em 1998. O Região de Águeda fez reportagem na edição inaugural

O bairro do São Pedro, a 500 metros do centro da cidade, apenas recebeu infraestruturas básicas e alcatroamento de estradas em 1998. O Região de Águeda fez reportagem na edição inaugural

A CIDADE

Também no centro urbano de Águeda havia obras públicas. O Bairro de São Pedro, a meio quilómetro do centro da cidade, recebia “finalmente” as infraestruturas básicas e o alcatroamento da estrada, reclamadas pelas “suas gentes”. Sim, há 21 anos apenas… O jornal ouviu a população. António Coelho, Manuela Almeida, Avelino da Rosa e Ernesto Silva deram a cara…

No interior da edição 1 do Região de Águeda consta ainda uma peça desenvolvida sobre a necessidade de um canil em Águeda. Falava-se da “solidariedade humana ao serviço dos cães de rua” e da “esperança” ser “a última a morrer”. Era ouvido Lotário Andrade, presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Águeda. O canil “é imprescindível” – reclamava. Afinal, há conquistas que hoje parecem naturais mas que há 21 anos pareciam excêntricas…

A Rua Luís de Camões não era pedonal e ninguém se atreveria a pensar que duas décadas depois corresse mundo pelos guarda-chuvas coloridos. A Câmara lançava o projeto de reabilitação do que chamou “zona histórica” da cidade. Anunciava-se um novo rosto e o Região de Águeda titulava: «Baixa ganha novo fôlego». Afinal, há coisas de hoje que foram resultado também de decisões de ontem… O Região de Águeda ouviu comerciantes para saber o que desejavam. Fernando Gomes – “Rino” – e Conceição Sapage deram a cara.

O Região de Águeda surgiu com um destacável de desporto

O Região de Águeda surgiu com um destacável de desporto

O DESPORTO

No desporto, o Recreio estava às escuras – a empreitada de reforço da péssima iluminação do estádio demorou mais dias que o previsto… – mas desportivamente liderava a série C da então 3ª divisão nacional. O estádio haveria de ser remodelado cinco anos depois. Nesse 1998, no principal escalão distrital, Fermentelos, Mourisquense e Valonguense perseguiam o líder Gafanha; e a BARC dava uso ao campo eng. José Júlio Ribeiro com posição cimeira no segundo escalão distrital.
O Região de Águeda começou a apresentar todos os jogos das equipas do futebol jovem concelhio – uma novidade, pois deu igual oportunidade aos clubes existentes. Eram mais clubes do que são agora mas tinham menos equipas e menos escalões do que hoje existem. Tal como sucede com o então designado “futebol de cinco” – o “futsal” da atualidade. Havia ainda basquetebol, ténis de mesa e andebol… Há, hoje, diversidade de práticas e mais ‘individualidade’.
A preocupação do jornal com a verdade e o rigor desde a 1ª edição. Quem foram os campeões? Águeda, Fermentelos, Macinhatense, Valonguense e Paradela figuraram em várias divisões no quadro oficial da Associação de Futebol de Aveiro, publicado no Região de Águeda. E Zé Pedro, esquerdino do Recreio dos anos 60 e 70, reviveu a euforia do primeiro título, em 1966, contada nas páginas do Região de Águeda.

Arquiteto Rocha Carneiro falou sobre a importância de obras como «Os Lemos da Trofa». Expoisções e museus, cinema e espetáculos promovidos por bares, além de telefones úteis

Arquiteto Rocha Carneiro falou sobre a importância de obras como «Os Lemos da Trofa». Expoisções e museus, cinema e espetáculos promovidos por bares, além de telefones úteis incluídos na página dedicada ao lazer

A CULTURA

O saudoso arquiteto Rocha Carneiro, na rubrica «Um Livro e um Amigo», escolheu a obra do historiador Amaro Neves «Os Lemos da Trofa», edição da Câmara Municipal de Águeda. Dizia Rocha Carneiro que “é nossa obrigação” defender, preservar e dar a conhecer o significado de um monumento que é “um padrão histórico que existe no nosso concelho”.
As instalações da então designada Associação Industrial de Águeda recebiam um salão automóvel e o cinema São Pedro exibia «A máscara do Zorro». Luís Fernandes, da d’Orfeu, antecipava o Outonalidades 1988: 21 dias com 11 grupos em 9 bares do concelho! O Região de Águeda dava oportunidade a associações, na época menos mediatizadas, de expressarem publicamente os seus projetos e atividades!
Na rubrica «Memórias», dedicada a pessoas que fizeram história, o Região de Águeda destacou “os grandes senhores dos chapéus”. Contou a história de Manuel Pereira, o único chapeleiro que Águeda chegou a conhecer, e que faleceu com apenas 47 anos, vítima de doença cardíaca. O filho ainda prosseguiu o negócio mas nem com a ajuda das irmãs conseguiu evitar que o mesmo fosse morrendo aos poucos…

A qualidade que começou a estar na preocupação dos agentes económicos, a ambição (mal compreendida ainda) de dar um destino aos cães de rua e a saudação editorial do Região de Águeda, anunciando os pilares do Estatuto Editorial que nos dá identidade

A qualidade que começou a estar na preocupação dos agentes económicos, a ambição (mal compreendida ainda) de dar um destino aos cães de rua e a saudação editorial do Região de Águeda, anunciando os pilares do Estatuto Editorial que nos dá identidade

UTILIDADE CÍVICA

A edição 1 do Região de Águeda era felicitada pelo Governador Civil de Aveiro, Antero Gaspar. Artur Rosa Pires, primeiro Director do Região de Águeda, evidenciava, em editorial, a predisposição do jornal em ser “útil” para Águeda e a região onde se insere, “para as suas gentes e para um futuro comum que dia-a-dia vamos construindo”. Direcção editorial e fundadores do jornal saudaram os congéneres Soberania do Povo e Jornal da Bairrada, valorizando o contributo dado à comunidade local e à vitalidade da imprensa regional.

O advogado Paulo Matos e o professor Rui Neves foram autores dos primeiros textos de opinião do Região de Águeda. O segundo falou dos “jornais como espaços de reposição da memória coletiva” e o primeiro saudou o “jornalismo local como instrumento democrático privilegiado para a reforma do sistema político e da sociedade de informação”.

Fieis no Região de Águeda ao Estatuto Editorial, desde a primeira hora, “assumimos que este projeto jornalístico só fará sentido enquanto for de utilidade cívica, isto é, enquanto informar para desenvolver”. Prosseguiremos nesta cruzada!
A história da nossa gente é a história do Região de Águeda. Uma história com verdade: que enfatiza o justo valor; que também é feita de desilusões, de dor e pesar; mas feita também de conquistas, de sucessos e alegrias; uma história com dimensão social e com visão crítica; uma história de ilusões e de ambições, de desafios e de construção!

AUGUSTO SEMEDO | diretor adjunto
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