Sá Pereira: Águeda não justifica artérias fechadas ao trânsito”

Sá Pereira, comerciante e docente numa escola do ensino básico, foi eleito comerciante do ano pela Associação Comercial de Águeda (ACOAG). Ao RA fala do “momento difícil” que o sector atravessa, do esforço de modernização e da “falta de uma representatividade forte do comércio tradicional junto daqueles que decidem a organização territorial e autorizam grandes espaços a torto e a direito”.

P> Como vê a evolução do comércio em Águeda?

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Estamos num momento difícil para responder a essa questão, temos no entanto que perceber por que prisma se pode apreciar, se pelo investimento, se pelo volume de negócios. Pelo primeiro verificamos que tem havido alguma evolução e modernização, principalmente na parte alta da cidade, falta saber se tem havido o correspondente retorno em volume de negócios para a sustentabilidade do investimento. A evolução do comércio em Águeda está como em todo o país, a sofrer da falta de uma representatividade forte do comércio tradicional junto daqueles que decidem a organização territorial e autorizam grandes espaços a torto e a direito, cumprindo apenas com os interesses dos grandes grupos económicos, não tendo em conta que as cidades precisam do seu comércio para se manterem vivas e sadias.

 

P> O comércio de Águeda é atractivo?

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É e será tão atractivo quanto o quisermos fazer, os comerciantes e os compradores. Não se compra fora de Águeda mais barato que na nossa cidade, mas vai-se comprar fora porque é “chique“. Águeda é boa para ganharmos o nosso ordenado! Mas não merece o nosso dinheiro?

 

P> Quais os maiores desafios que se colocam ao comércio de proximidade em Águeda?

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O comércio em Águeda passa um mau momento, o primeiro desafio será aguentar a crise e conseguir modernizar com sustentabilidade, fazer perceber à população que se leva o dinheiro para fora, não fica cá o necessário para que a modernização se faça. É um ciclo vicioso, se os comércios não tiverem rotação nos seus produtos não haverá possibilidade de investimento.

 

P> Acha que as intervenções que têm sido feitas na baixa da cidade e outras previstas contribuirão para atrair mais pessoas ao comércio?

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Sim, tudo o que for feito para inverter a saída das pessoas para ir “passear” para fora, e, por outro lado, potencie a vinda de visitantes, é bom para o comércio, estimula os comerciantes a investir na modernização dos seus espaços e dá vida à cidade.

 

P> Acha que a Câmara se tem mostrado sensível às questões do comércio local?

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A Câmara tem feito e tem projectado intervenções que vão de encontro a algumas necessidades do comércio local. Dá para perceber que há uma visão de modernidade, de percepção do problema que poderá vir a ser uma cidade sem espaços de lazer atractivos, sem dinâmica de entretenimento, logo sem vida, sem actividade lúdica, sem comércio. Há, no entanto, que rever as opções de estacionamento e circulação na cidade. O comércio necessita de estacionamento próximo, espaços que possam ser polivalentes, por outro lado a cidade é pequena, não justifica artérias fechadas ao trânsito, mas sim com circulação condicionada e de sentido único, permitindo uma boa convivência do movimento automóvel com os peões. Vamos deixar de copiar modelos que nada têm a ver com a nossa realidade. Gostaria de chamar à reflexão alguns actores imprescindíveis no desenvolvimento da nossa cidade: Primeiro, os proprietários que nas zonas comerciais mantêm espaços fechados. Os vossos espaços fechados desincentivam o investimento comercial, empobrecem a cidade e depreciam o vosso património, hoje há possibilidade de fazerem arrendamentos com objectivos, quer de negócio quer temporais, é um acto de inteligência fazer um esforço para valorizar o vosso património e a nossa cidade. Segundo, os comerciantes. A crise é tanto maior quanto maior é o negócio, assim sem a ignorar, temos todas as condições para sermos dos que vão ultrapassar esta crise, temos que estar atentos, unidos e modernizar tanto quanto possível os nossos espaços.

Terceiro, os cidadãos desta cidade e deste concelho. Fechem os olhos por um minuto, imaginem as nossas ruas sem comércio com as portas e montras entaipadas, já possível de ver em algumas artérias das grandes cidades, gostaram?

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