“ SAD é uma boa solução… Estamos a acautelar os riscos! ”

RDA - Rui Anjos e Pedro Alpoim 3

Rui Anjos foi eleito presidente da direção do Recreio de Águeda para um mandato de dois anos mas só avança caso seja constituída uma SAD – Sociedade Anónima Desportiva. Tudo porque os custos fixos quintuplicaram e as receitas com publicidade e quotização são as mesmas. O objetivo passa por subir à 2ª Liga. “Estamos a acautelar os riscos”, garante o dirigente de 45 anos – que, em entrevista, explica os contornos do eventual acordo. Dia 28 (segunda-feira) haverá uma sessão de esclarecimento e para dia 4 de junho está marcada uma assembleia geral para os sócios decidirem. Aos 94 anos, o Recreio de Águeda tem em mãos uma decisão vital e histórica

 

P> Anunciou, na assembleia geral eleitoral, a constituição de uma SAD no Recreio de Águeda. Por que razão pretende avançar para essa solução?
R> O exercício, nos dois anos da direção cessante, demonstrou que quintuplicaram os custos fixos pela presença no Campeonato de Portugal (CP), nomeadamente com impostos, taxas da federação, seguros, segurança social, transportes, segurança nos jogos, etc. Não foram os custos do plantel, foram custos fixos! As receitas não acompanharam essa evolução. A receita com publicidade e dos sócios são basicamente as mesmas, mantendo-se estáveis. A meio desta época, e após grande esforço do atual presidente, e também da minha parte, conseguimos manter a competitividade da equipa sénior e as contas do clube minimamente regularizadas. A equipa estava em primeiro lugar e já os recursos financeiros estavam esgotados. Solicitámos na altura um apoio adicional à comunidade local, designadamente à Câmara e a empresários, para que fosse possível manter o índice competitivo, permitindo-nos cumprir o sonho de subir de divisão de dois em dois anos.

P> Qual é a vantagem de subir à 2ª liga com receitas que já são escassas para o CP?
R> Na 2ª Liga temos mais receitas publicitárias, televisivas e também mais visibilidade a nível nacional, que nos permitem consolidar orçamentos.

P> Então o objetivo é subir.
R> Sim, o objetivo é subir à 2ª Liga o mais rápido possível.

 

 

PARCEIRO COLMATA 33%  EM FALTA
P> Voltando atrás… Os apoios não surgiram quando o Recreio era primeiro classificado?
R> Não surgiram os apoios no imediato, limitando-se as entidades a valorizar o trabalho que estávamos a fazer, dando-nos votos de confiança. Fomos forçados a procurar uma solução, um parceiro investidor, que no fundo colmatasse esses 33% em falta no nosso orçamento.

P> A constituição da SAD, a exemplos de outros clubes de dimensão idêntica, não envolverá riscos?
R> Estamos a acautelar os riscos garantindo 33% da receita à cabeça pela SAD, assumidos pelo investidor. O investidor assume ainda dois terços da responsabilidade da SAD, ficando o clube com um terço das receitas publicitárias e de quotas.

P> O projeto tem horizonte temporal?
R> O projeto está estruturado a 10 anos, até à presença na 1ª Liga. O objetivo é esse.

 

 

CLUBE COM FORMAÇÃO E ATLETISMO
P> O clube, com a SAD, que papel desportivo desempenhará?
R> O futebol de formação e o atletismo. Haverá um foco maior da direção do clube na formação e no atletismo, uma vez que a estrutura da SAD vai estar unicamente direcionada para o futebol sénior. Todavia, estará muito atenta à formação e com o objetivo de que a formação atinja os campeonatos nacionais, ou seja, um maior nível de exigência competitiva para poder rentabilizar os atletas. Convém dizer que a relação da Câmara é com o clube, pois as contas são separadas entre o clube e a SAD.

P> Nessa medida, como fica definida a cedência do estádio?
R> Por acordo entre clube e a SAD. Ainda há pouco tempo foi feito um protocolo em que o clube passou a ter mais autonomia sobre o estádio, nomeadamente a possibilidade de executar melhoramentos após a necessária aprovação camarária. Importa dizer que a equipa sénior representa 20% dos custos de manutenção do estádio. Estes custos serão compensados pela SAD com um terço das receitas angariadas pela mesma, por forma a apoiar o clube.

P> Se um clube não tem receitas suficientes como pode a SAD captar mais receitas?
R> Pode ir buscar dinheiro em patrocínios ou em venda de jogadores, em parcerias com países e clubes para residência de atletas jovens. Um terço dos patrocínios e da venda de jogadores reverterá para o clube.

 

 

OBRAS NO ESTÁDIO

P> Há necessidade de obras urgentes no estádio, designadamente com um novo sintético. Estão acauteladas?
R> As obras do novo sintético começam esta quinta-feira. Pretendemos também a requalificação do topo nascente, na zona dos campos de treino, criando uma bancada coberta entre os dois sintéticos, e um campo de futebol de sete relvado. Tencionamos avançar para a construção da pista de tartan e respetivos balneários, tendo-se já adaptado a bancada inferior para uma pista coberta de 110 metros.

P> E como pensam financiar esse investimento?
R> Neste momento, temos a possibilidade de concorrer a apoios do IPDJ, comunitários e municipais. Vamos submeter o projeto integrado de requalificação geral do estádio a estas entidades e em dois anos esperamos viabilizar a construção e valorização deste património municipal.

P> A Câmara está a par?
R> Está recetiva. A abertura que nos deu com o novo protocolo foi importante, permitindo encontrar parceiros para um apoio adicional às obras.

P> O futebol de formação tem uma época muito aquém do desejado.
R> É a consequência da falta de condições dos últimos anos e que já provocou a descida de divisão dos iniciados. A construção do novo sintético vai inverter a situação. Além disso, estamos a trabalhar a próxima época contratando o prof. José Carlos, adjunto da equipa sénior anterior, para diretor desportivo da formação, bem como Hélder Godinho para a escolinha de guarda-redes. Integrámos ainda todos os seccionistas na direção como forma de que se sintam parte do projeto e de compromisso com o mesmo.

(notícia completa na edição da semana – versões e-paper e impressa)
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