Sara Vidal, vocalista de Luar na Lubre: “Concerto em Águeda foi muito emotivo”

Sara Vidal é a vocalista de Luar na Lubre, o grupo galego que recentemente foi distinguido pela Academia de las Artes y las Ciencias de la Música, com o prémio de Melhor Album de Música Tradicional espanhol. Em entrevista ao nosso jornal, a cantora fala das suas raízes aguedenses, do seu percurso, do que sentiu na noite que actuou no palco das Sextas Culturais e das suas memórias de infância em Águeda

 

P> Qual a sua ligação familiar a Águeda?

R> A minha ligação familiar prende-se com o meu lado paterno. Os meus bisavós, Álvaro Nunes Vidal e Palmira Moreira de Magalhães, eram os donos da antiga Farmácia Vidal, situada antigamente na Rua Luís de Camões, onde ainda está o prédio devoluto, e onde sempre passava as férias de verão da minha infância. Aliás, devo confessar que sempre que vou a Águeda, dá-me muita tristeza ver o estado em que o edifício se encontra, o qual já não pertence à família, e que certamente seria uma mais valia para a cidade a sua recuperação, assim como o restante entorno histórico.

P> Vemos que não perdeu essa ligação a Águeda. Costuma vir cá?

R> Apesar do meu pai ser de Águeda e de termos familiares na região, infelizmente perdemos essa ligação com o falecimento da minha avó Armanda Moreira Vidal (que chegou a pertencer à direcção da ANATA), em 1995, e só no ano passado é que a recuperei, graças ao concerto que demos em Maio, na iniciativa “Sextas Culturais”. Foi um reencontro com Águeda muito grato, mas também muito natural, porque ao fim ao cabo faz parte da minha identidade e das minhas memórias, e desde então costumo visitar a cidade e assistir às iniciativas da d’Orfeu Associação Cultural, formada por um colectivo de pessoas por quem sinto grande estima e admiração pelo trabalho cultural que têm desenvolvido.

P> A actuação em Águeda no ano passado nas Sextas Culturais teve um sabor especial?

R> Sem dúvida! Aliás, pessoalmente é um dos concertos mais acarinhados, precisamente porque foi um misto de emoções. Por um lado, era uma alegria um pouco nostálgica, porque lembrava-me de situações da minha infância e da minha avó, e por outro, confesso que também havia nervosismo, porque no concerto estava presente toda a minha família paterna, que já não via há muitos anos. Foi um concerto muito emotivo.

 

“VIVO EXCLUSIVAMENTE DA MÚSICA”

 

P> É fácil viver da música?

R> Não é, porque é uma actividade muito instável, que varia consoante o número de concertos que se vão fazendo; não temos um salário fixo ao fim do mês. Mas também tudo depende das prioridades e das ambições que se têm. No meu caso pessoal, eu vivo exclusivamente da música e é uma escolha que me realiza completamente enquanto pessoa, mesmo sendo consciente das dificuldades que possam existir.

P> Onde mora neste momento e como foi aí parar?

R> O grupo é da Corunha (Galiza) e como ensaiamos regularmente, entre 2 e 3 dias por semana, actualmente vivo nesta cidade. Antes de me integrar no grupo, já tinha vivido dois anos em Ferrol por motivos universitários, de 2002 a 2004, e quando terminei os estudos, regressei a Lisboa. Depois quando me telefonaram para fazer o casting e fui seleccionada, em 2005, mudei-me para a Corunha, porque temos um trabalho constante de ensaios e concertos. No entanto, há já dois anos que vou regularmente a Lisboa, porque dou aulas de canto tradicional e pandeireta galega no Centro Galego de Lisboa.

P> Guarda alguma memória das férias que passava em Águeda?

R> Tenho uma recordação especial do Souto Rio, das horas que passávamos metidos na água de chinelos, por causa das pedras, e dos pic-nics. Memórias que trazem saudades.

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