“Serão reunidas as condições para participar na Taça dos Campeões Europeus” – Ricardo Esteves, treinador de atletismo do Recreio de Águeda

Ricardo Esteves com a atleta Carla Martinho durante um treino no Estádio Municipal

O Recreio de Águeda pode vir a participar na Taça dos Clubes Campeões Europeus de corta-mato em seniores femininos. O cenário, inédito, está a ser ponderado na preparação para a nova época. “Estamos já a trabalhar no sentido de apresentar uma equipa o mais homogénea possível”, refere o treinador Ricardo Esteves, que prepara ainda jovens de Águeda para a obtenção de resultados importantes na época de pista ao ar livre, que domina o calendário na segunda metade da época atual.

P> Olhando para a época de estrada e corta-mato, era de alguma forma previsível a prestação da equipa nas provas efetuadas; ou, face principalmente a alguns contratempos, anteviam-se mais dificuldades?
R> Face à personalidade das atletas que são os “pilares” da equipa sénior feminina e à dos veteranos masculinos, que mais se destacaram a nível nacional, antevia-se que os resultados fossem desta dimensão. No entanto, há sempre imponderáveis que vão surgindo, por vezes nas piores alturas, e que nos deixam apreensivos, mas que foram sendo geridos para que pudéssemos alcançar os objetivos a que nos propusemos.

P> O título de campeão nacional em corta-mato curto é um facto histórico, a que se juntam os títulos de vice-campeão na versão longa e na prova de estrada em seniores femininos. Há condições para que a equipa mantenha os níveis atuais, ou possa mesmo reforçá-los?
R> Julgo que sim, porque enquanto equipa, no coletivo, acabamos por ser muito assertivos relativamente aos nossos objetivos e também porque atualmente temos apoio para continuar a desenvolver um trabalho com a qualidade que se exige a este nível.

P> A equipa sénior feminina tem muita experiência e está bastante rotinada. Impõe-se o rejuvenescimento da equipa, atendendo à juventude apresentada por algumas formações que têm concorrido diretamente?
R> Neste momento já estamos a trabalhar nesse sentido, mas de uma forma sustentada, pretendendo-se que a “veterania” de algumas atletas contribua para a estabilidade dos resultados.

Ricardo Esteves com a atleta Carla Martinho durante um treino no Estádio Municipal

Ricardo Esteves com a atleta Carla Martinho durante um treino no Estádio Municipal

RECREIO DE ÁGUEDA NA TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS?

P> Com o segundo lugar alcançado no nacional de corta-mato longo, atrás do campeão europeu Sporting, o Recreio pode vir a disputar a taça dos clubes campeões europeus? E se sim, com a equipa reforçada na próxima época?
R> Da parte da direção do Recreio foi-me transmitido que serão reunidas as condições necessárias para que possamos participar na Taça do Campeões Europeus. Como referi, estamos já a trabalhar no sentido de apresentar uma equipa o mais homogénea possível ao nível da qualidade das atletas, de acordo também com as nossas possibilidades orçamentais.

P> A abertura a uma formação sénior masculina não faz sentido?
R> Uma formação masculina mais competitiva faz sempre sentido, mas julgamos que deve ser dado um passo de cada vez e neste momento a preocupação principal passa por tornar a equipa sénior feminina o mais competitiva possível para a próxima época, face a um novo desafio. Continuaremos a trabalhar também para que os nossos jovens do setor de formação possam chegar o mais longe possível, tal como os restantes atletas seniores e veteranos, mantendo em aberto a possibilidade de se investir mais numa equipa masculina quando se reunirem as condições adequadas.

JOVENS DE ÁGUEDA MAIS DOTADOS PARA DISCIPLINAS TÉCNICAS

P> O Recreio tinha, há um ano, mais atletas jovens a participar em provas de estrada e corta-mato. Sabe-se, por outro lado, que muitos jovens abandonam o atletismo nas idades de juvenis e juniores. Que condições seriam necessárias para captar e manter mais jovens, e tê-los a um nível relativamente elevado?
R> Em Águeda têm aparecido mais jovens dotados para as disciplinas técnicas e de velocidade do que propriamente para o meio-fundo. Muitas vezes isto tem a ver com as chamadas “bolsas genéticas geográficas”, mas, julgamos que com o tempo acabarão por aparecer naturalmente. Outro fenómeno que está a acontecer atualmente é o de jovens que treinam, com o objetivo de recreação e promoção da saúde, mas que não pretendem competir, contrapondo com uma sociedade cada vez mais competitiva, levando-nos a pensar que o motivo será esse mesmo.

P> Como se podem cativar então os jovens para a prática competitiva e continuada da modalidade, principalmente os melhores valores?
R> Relativamente à fidelização dos jovens que mais se destaquem na modalidade, julgamos que passará primeiro pela criação de condições de treino com a mesma dignidade das que são dadas às outras modalidades e depois pela criação de mais incentivos à excelência desportiva.
P> Na pista coberta, os objetivos foram atingidos?
R> Sim, os nossos atletas conquistaram oito medalhas em campeonatos nacionais. Começando pelos mais jovens, a Sofia Almeida sagrou-se campeã nacional de juvenis nos 800m, destacando o facto de ser ainda do primeiro ano do escalão. Ainda nos juvenis, o Carlos Claro foi medalha de bronze nos 200m e nos 300m. Nos campeonatos nacionais de masters, o Hugo Ramalho sagrou-se campeão de 3.000m da categoria de M35, o Luís Martins (M40) foi vice-campeão de 800m e a Marisa João (F40) foi vice-campeã nos 3.000m e 3ª nos 800m. Para terminar, Emília Pisoeiro foi vice-campeã de 3.000m nos campeonatos de Portugal absolutos.

OBJETIVOS AMBICIOSOS PARA A ÉPOCA DE PISTA

P> Há objetivos para a pista ao ar livre, que dominará o calendário nos próximos meses?
R> Sim, há vários objetivos, dos quais há a destacar a procura dos mínimos de participação no Campeonato da Europa de Juvenis para a participação da Sofia Almeida e do Carlos Claro, bem com os lugares de pódio dos campeonatos nacionais dos seus escalões, onde, neste caso, o Fábio Simões também terá possibilidade de os disputar. A atleta sénior, Emília Pisoeiro, também irá fazer uma incursão na pista para disputar o título de campeã de Portugal de 3.000m obstáculos e tentar realizar uma marca que a coloque como líder no ranking nacional.

P> Que expetativas deposita nos jovens de Águeda que têm apresentado bons resultados? Há condições para os manter por cá ou é uma questão de meses ou anos vê-los rumar a clubes de maior dimensão?
R> Há clubes como o Sporting Clube de Portugal e o Sport Lisboa e Benfica que têm argumentos de ordem financeira contra os quais não é fácil lutar de igual para igual, mas julgo que com o trabalho que está a ser realizado no Recreio já não será tão fácil que os atletas partam sem que pelo menos lutemos pela sua continuidade.

(ENTREVISTA COMPLETA NA EDIÇÃO DA SEMANA, DIA 4 DE ABRIL DE 2018 – VERSÕES E-PAPER E IMPRESSA)
Ricardo Esteves durante uma sessão de treino com Ricardo Martins

Ricardo Esteves durante uma sessão de treino com Ricardo Martins

Autores

Notícias Relacionadas

*

Top