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	<title>Região de Águeda &#187; Júlio Dinis Saraiva</title>
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		<title>Aguedense guardião da história que alimenta sonhos</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jan 2018 15:15:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p>Júlio Dinis Saraiva tem 75 anos mas não para. Guarda a história, mantém sonhos. Protege acervo que ajuda a perceber a forte identidade aguedense – será um crime perder-se – mas dá-o a conhecer. Com visível orgulho. Testemunhámo-lo a última vez em Viseu, fazia calor em agosto, na etapa derradeira da Volta a Portugal 2017,<a href="http://www.regiaodeagueda.com/site/aguedense-guardiao-da-historia-que-alimenta-sonhos/" title="Saiba mais" >...</a></p>
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				<content:encoded><![CDATA[<h4>Júlio Dinis Saraiva tem 75 anos mas não para. Guarda a história, mantém sonhos. Protege acervo que ajuda a perceber a forte identidade aguedense – será um crime perder-se – mas dá-o a conhecer. Com visível orgulho. Testemunhámo-lo a última vez em Viseu, fazia calor em agosto, na etapa derradeira da Volta a Portugal 2017, um contrarrelógio individual… como em Águeda, fará 40 anos em agosto de 2018</h4>
<p><span id="more-20147"></span></p>
<p>Júlio Dinis Saraiva leva consigo toda a documentação de um dia grande para Águeda: a primeira vez que uma Volta a Portugal não terminava em Lisboa ou no Porto. Com o enorme envolvimento coletivo da época. Com a festa e o sentimento da época. Com a indústria e as pessoas da época. Com o orgulho da época. Com o Aguedismo da época.<br />
Os sonhos continuam 40 anos depois dos 35 para este Aguedense que faz do ciclismo a sua “válvula de escape”. Foi dirigente e comissário nacional, mas ainda hoje gosta de viver a adrenalina do ciclismo, um “remédio anti stresse que por vezes traz ingratidão” mas também “é uma fonte de amizades”.<br />
“Esporadicamente” tem uma tarefa no controlo antidoping: “Vigiar o ciclista sorteado para ir ao controlo, entre os dois que o são em cada dia de prova, desde que corta a meta até que chega ao local”.<br />
Porém, o que Júlio Dinis Saraiva gostaria mesmo era de um final de Volta em Águeda em 2018. Assinalaria os 40 anos do final marcante de 78. A situação já tinha sido abordada há 10 anos. “Não quer dizer que seja inviável, já abordei novamente o assunto com o Joaquim Gomes, mas grande parte da comparticipação teria que vir da indústria local”. De qualquer modo, em Viseu, não deixou de ir à sala de imprensa mostrar aos descendentes de Homero Serpa, que para “A Bola” mostrou a Águeda dos anos 70 e cobriu a Volta de 78, o que sucedeu então na terra do empreendedorismo e da afirmação da indústria nacional. Para espanto… pelas relíquias tão bem estimadas e pela afirmação do génio aguedense.</p>
<h3>DE MOURISCA À BORRALHA</h3>
<p>Júlio Dinis Saraiva estudou na escola primária de São Sebastião, em Mourisca do Vouga, e na Escola Industrial e Comercial de Águeda (EICA), no curso de comércio. Foi trabalhar para a Lusitana em 16 de agosto de 1958. O preciosismo da data traduz a minúcia com que trabalha e se dedica escrupulosamente aos projetos. “Ia de bicicleta da Mourisca para a Borralha”. De 1977 a 2013 foi sócio daquela empresa de componentes para as duas rodas. Casaria na Borralha em 1966.<br />
Foi guarda-redes no Recreio de Águeda. Jogou no velho São Sebastião, hoje Praça do Município, em finais dos anos 50 e princípios de 60. Interrompeu por causa dos três anos na tropa. “Tenho aqui um emblema do Recreio”, diz. “Num jogo com a Ovarense, um forte remate do pai do Semedo, que jogou no Porto, deu-me cabo da clavícula”. Seria ainda guardião de balizas pelas Velhas Guardas, no torneio de veteranos “As árvores morrem de pé”.<br />
Hoje, como dirigente, está ligado ao paraciclismo e coordena a seleção para deficientes intelectuais. “Um trabalho gratificante, social, de enorme riqueza humana”. E revela: “Temos um projeto para fazer o Mundial 2020 na nossa região, com o apoio das câmaras de Águeda e Anadia e Vagos ou Ílhavo”. Os custos com o policiamento são o que levanta maiores problemas na estrutura financeira da competição.</p>
<h3>AS BICICLETAS E O ABIMOTA</h3>
<p>Sobre o sonho de voltar a ver um final da Volta em Águeda, Júlio Dinis Saraiva não tem dúvidas do impacto financeiro que teria e também na afirmação da Águeda atual. “As duas rodas continuam concentradas aqui, apesar da escala ser menor, mas nas bicicletas continuamos a ter expressão”. O mercado tem “melhorado”, salientando que “somos fabricantes sobretudo de componentes”. As bicicletas, como um todo, “algumas são produzidas em Portugal, saem e depois voltam a entrar com outra marca”.<br />
Júlio Dinis Saraiva foi diretor de corrida do grande prémio ABIMOTA, que ajudou a criar e a desenvolver. Ressalva o prestígio da competição, a segunda mais antiga do ciclismo nacional (só a Volta tem mais edições…), e a capacidade organizativa. Mais uma vez os custos com o policiamento são o alvo: “São 4.500 euros por dia, um batedor por cada 10 ciclistas, mais um comandante, um segundo carro e o policiamento apeado por onde passam as etapas, que durante anos não era pago e agora é”. Ademais, os agentes apeados “fazem o serviço por períodos de quatro horas apesar do tempo de passagem ser inferior”.</p>
<h5>AUGUSTO SEMEDO</h5>
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		<title>O dia em que a &#8216;Volta&#8217; terminou em Águeda</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Jan 2018 14:53:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[<p>Até 1977, a Volta a Portugal em bicicleta havia terminado sempre em Lisboa ou no Porto. Águeda, em agosto de 1978, mudou o paradigma ao receber o contrarrelógio individual de 31,2 kms, que finalizou a principal competição velocipédica portuguesa longe das duas principais cidades. Vai fazer 40 anos Capital das bicicletas, dizia-se que com 99%<a href="http://www.regiaodeagueda.com/site/o-dia-em-que-a-volta-terminou-em-agueda/" title="Saiba mais" >...</a></p>
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				<content:encoded><![CDATA[<h3>Até 1977, a Volta a Portugal em bicicleta havia terminado sempre em Lisboa ou no Porto. Águeda, em agosto de 1978, mudou o paradigma ao receber o contrarrelógio individual de 31,2 kms, que finalizou a principal competição velocipédica portuguesa longe das duas principais cidades. Vai fazer 40 anos<span id="more-20135"></span></h3>
<div id="attachment_20141" style="width: 120px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://www.regiaodeagueda.com/site/wp-content/uploads/volta78-percurso.gif"><img class="size-thumbnail wp-image-20141" src="http://www.regiaodeagueda.com/site/wp-content/uploads/volta78-percurso-110x110.gif" alt="Percurso da Volta a Portugal de 1978: um prólogo e 18 etapas" width="110" height="110" /></a><p class="wp-caption-text">Percurso da Volta a Portugal de 1978: um prólogo e 18 etapas</p></div>
<p>Capital das bicicletas, dizia-se que com 99% da produção de bicicletas em Portugal, Águeda recebeu com orgulho o final da 40.ª Volta a Portugal. Com partida e chegada à praça Dr. António Breda, o contrarrelógio final percorreu o município. Uma multidão acorreu ao grande acontecimento – era a primeira vez que a competição terminava fora de Lisboa ou Porto. No dia 20 de agosto de 1978.<br />
O grande prémio ABIMOTA tinha começado no ano anterior e acelerou o sonho. Um grupo de pessoas ligadas à ABIMOTA – Júlio Dinis Saraiva, Aurélio Ferreira, Filipe Coelho e José Maria Marques – negociaram com a Federação Portuguesa de Ciclismo, liderada então por Mário Ferreira, para que a ambição se concretizasse. Conseguiram-no.<br />
Com a colaboração de Jorge Lara, diretor da prova, foram delineados os pormenores técnicos do que viria a ser um contrarrelógio individual. A apresentação oficial decorreu na Miralago, a 14 de agosto de 1978.</p>
<h3>UMA VITELA DE AGUADA DE CIMA</h3>
<p>Os apoios e a colaboração – de entidades oficiais, de empresas e de pessoas que se voluntariaram – associaram-se a um grande acontecimento de afirmação. Águeda era indústria; Águeda era orgulho!<br />
Uma história curiosa. Na praça Dr. António Breda, com a configuração de faixas de rodagem separadas por um jardim central e uma rotunda no centro, em frente à avenida Eugénio Ribeiro e à entrada para a escola secundária, foram erguidas bancadas desmontáveis. Era a linha de meta. Dali partiam e ali chegavam os ciclistas, um a um. Grande parte das bancadas vieram de Ovar, serviam o tradicional Carnaval. Foram disponibilizadas gratuitamente. As empresas de Águeda asseguraram o transporte nas suas camionetas.<br />
Calcula-se que em Águeda terão estado cerca de 50 mil pessoas. Na então vila e ao longo do percurso. “A Junta de Freguesia de Aguada de Cima criou um prémio particular para o ciclista vencedor”, lembra Júlio Dinis Saraiva. Que prémio? “Uma vitela!” Mas houve mais (leia peça em separado).</p>
<div id="attachment_20142" style="width: 510px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://www.regiaodeagueda.com/site/wp-content/uploads/volta-praca-breda-em-78.gif"><img class="wp-image-20142 size-large" src="http://www.regiaodeagueda.com/site/wp-content/uploads/volta-praca-breda-em-78-640x360.gif" alt="Praça Dr. António Breda em 1978, de onde partiram e aonde chegaram os ciclistas no contrarrelógio final" width="500" height="281" /></a><p class="wp-caption-text">Praça Dr. António Breda em 1978, de onde partiram e aonde chegaram os ciclistas no contrarrelógio final</p></div>
<h3>VITÓRIA PARA CICLISTA DE AVANCA</h3>
<p>O final da Volta teve um caso de doping. Um vencedor desclassificado: o consagrado Fernando Mendes, feirense de Rio Meão que corria pelo FC Porto e havia estado na sombra de Joaquim Agostinho durante anos. E um vencedor seria proclamado: Belmiro Silva, um ex-Sangalhos que representava o Coimbrões.<br />
O corredor era de Avanca. “Os pais tinham uma exploração de vacas leiteiras”, lembra Júlio Dinis Saraiva. Animado pela perspetiva de ser o vencedor, Belmiro Silva fez o melhor tempo no crono aguedense: 47m23s. Suplantou Américo Silva (Braga), hoje diretor técnico da Efapel, por três segundos, e Firmino Bernardino (Lousa) por 15 segundos. Fernando Mendes seria sétimo, a 55 segundos, penalizado certamente pelo ambiente negativo gerado à sua volta.<br />
Corriam os irmãos Sousa Santos, Joaquim Andrade, Francisco Miranda, José Luís Pacheco, Armindo Lúcio, Adelino Teixeira, Alexandre Ruas, Venceslau Fernandes, entre outros. O Sangalhos ainda corria, patrocinado pela Órbita, mas teve uma prestação discreta – Herculano Silva foi o melhor (26º) no contrarrelógio e Luís Gregório (33º) o mais bem colocado na geral final -, numa competição que incluía equipa como FC Porto/Sandeman, Coimbrões/Arbo, Lousa/Trin­aran­jus (vencedora coletivamente), Coelima, Braga/Lameirinho, Bombarral/Uniroyal, Águias/Clok, Benfica, Dramático, São Jorge/Manique e Campinense/ Almodovar.<br />
Fernando Mendes tinha gasto 57h48m25s e fez a festa final no pódio em Águeda. Belmiro Silva, o vencedor após a desclassificação daquele, cumpriu a Volta a Portugal em 57h52m32s, menos 37 segundos que Armindo Lúcio (Lousa) e 1m37s que Luís Teixeira (Coelima). Alexandre Ruas (Águias), Américo Silva (Braga), Firmino Bernardino (Lousa), Adelino Texeira (Lousa), João Costa (Campinense), Manuel Oliveira (Benfica) e Joaquim Sousa Santos (Bombarral) fizeram top 10.<br />
No pódio, caras bonitas, trajando roupas do folclore aguedense, dividiam as atenções com os protagonistas do espetáculo velocipédico.</p>
<h2><span style="color: #ff0000;">Programa festivo </span><br />
<span style="color: #ff0000;">e 190 contos de prémios </span><br />
<span style="color: #ff0000;">oferecidos por Águeda</span></h2>
<p>Houve um programa festivo no dia 20 de agosto de 1978, etapa final da 40ª Volta a Portugal em bicicleta. A partir das 14 horas houve desfile e atuação da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Águeda, Banda Nova de Fermentelos, Grupo Típico O Cancioneiro de Águeda, Grupo Folclórico da Região do Vouga, Grupo Folclórico Os Cruzeiros e Rancho Regional do Cabo.<br />
As coletividades desfilaram: Sport Algés e Águeda, Clube de Campismo e Caravanismo de Águeda, Orfeão de Águeda, Associação Académica de Águeda, Recreio Desportivo de Águeda e Ginásio Clube de Águeda.<br />
O encerramento do desfile foi ao som de “Os Marretas do Rio Douro” com os seus 30 bombos e com solta de pombos e largada de balões. Uma girândola de morteiros anunciou a partida do primeiro ciclista para o contrarrelógio, às 16h30.</p>
<h3>QUEM NÃO LEVOU PRÉMIO?</h3>
<p>Além dos prémios oficiais da Volta a Portugal, Águeda contribuiu com prémios no valor de 190 contos (quase mil euros). Em Belazaima do Chão, o ciclista com o melhor tempo na passagem ganhou 2.500 escudos e o segundo 1.500 escudos. Em Aguada de Cima, a Junta ofereceu uma vitela, no valor de 12 mil escudos, ao vencedor da Volta, além de outros prémios de passagem na meta (prémio Antonino Baptista), pecuniários e em produtos, como um atrelado Empal, conjuntos de garrafeira e camisas Condal, totalizando 30 mil escudos.<br />
O vencedor da Volta ainda levou uma motorizada Confersil RS Sport no valor de 42 mil escudos. Para clubes (até 10) e melhores da etapa (até ao 55º!) houve prémios como jarrões de faiança, selins Mecel, travões Lusito, faróis MIL, carro de compras Ucal, rodas Miralago, capacetes EFS, torradeira EMHA, camisas Souto Rio, mudanças Frefil, cestos de compras Mafirol, campainhas para bicicleta Ivol, buzinas Pep… Ainda uma motorizada Famel para o vencedor da etapa (no valor de 20 mil escudos) e bicicletas Órbita, Ucal, Sirla e Esmaltina (entre 17.500 escudos e 5.500 escudos) para os ciclistas classificados entre o segundo e o quinto lugar no contrarrelógio.</p>
<h5>AUGUSTO SEMEDO</h5>
<h3><a title="edição do Região de Águeda de 27/dez/2017" href="http://www.regiaodeagueda.com/site/regiao-de-agueda-edicao-da-semana-n-o-989/" target="_blank"><span style="color: #ff0000;">leia trabalho completo na edição da semana &#8211; versões e-paper e impressa &#8211; de 27 de dezembro de 2017</span></a></h3>
<h5>Foto de capa: Página da reportagem de “A Capital”, extinto jornal português, sobre a etapa de Águeda, onde é possível ver a multidão junto ao pódio na Praça Dr. Breda</h5>
<div id="attachment_20144" style="width: 510px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.regiaodeagueda.com/site/wp-content/uploads/reportagem-a-bola.gif"><img class="size-large wp-image-20144" src="http://www.regiaodeagueda.com/site/wp-content/uploads/reportagem-a-bola-640x360.gif" alt="A reportagem de A Bola publicada em 18 de fevereiro de 1978, seis meses antes do final da Volta" width="500" height="281" /></a><p class="wp-caption-text">A reportagem de A Bola publicada em 18 de fevereiro de 1978, seis meses antes do final da Volta</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="http://www.regiaodeagueda.com/site/o-dia-em-que-a-volta-terminou-em-agueda/">O dia em que a &#8216;Volta&#8217; terminou em Águeda</a> aparece primeiro no <a rel="nofollow" href="http://www.regiaodeagueda.com/site">Região de Águeda</a>.</p>
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