“Tenho o compromisso de levar até ao fim o mandato para o qual fui eleito” – Edson Santos

O vereador Edson Santos assinou o compromisso pela bicicleta

Edson Santos, que recentemente se demitiu do cargo de presidente da comissão política do PS e de militante do partido, na sequência do processo que conduziu à escolha de Paulo Seara como candidato socialista, afasta completamente a hipótese de se demitir do cargo de vereador. “Foi o povo de Águeda que me elegeu e é com ele que tenho o compromisso de levar até ao fim o mandato para o qual fui eleito”, diz em entrevista ao RA, a primeira após a sua demissão. Edson Santos faz questão ainda de afirmar que a Lista Independente não surge para que os vereadores se mantenham no poder pelo poder, mas para “assegurar que a câmara se manterá nos mesmos trilhos no futuro e que o bom trabalho que temos desenvolvido terá continuidade”. “Se fosse só para manter o cargo, teria aceitado ser o número 2 de Paulo Seara”, diz

P> Paulo Seara, candidato do PS à Câmara de Águeda, disse, em entrevista ao Região de Águeda, que se estivesse no seu lugar e no lugar dos vereadores, se demitiria. Em função da sua demissão da presidência da concelhia e do partido que elegeu a lista que o colocou na câmara municipal, coloca a hipótese de se demitir?
R> Foi o povo de Águeda que me elegeu e é com ele que tenho o compromisso de levar até ao fim o mandato para o qual fui eleito.

P> Acha normal, portanto, continuar como vereador na câmara eleito numa lista do PS e concorrer contra o partido por uma Lista Independente?
R> Não me demiti da concelhia para concorrer contra o PS. Foram mais de 25 anos ao serviço do PS. Enquanto membro da Juventude Socialista (JS), presidi à Associação Estudante na Marques de Castilho, durante três anos consecutivos; fui presidente da JS de Águeda, presidente da comissão política do PS Águeda, candidato a deputado da Assembleia da República e, nos últimos quatro anos, vereador da Câmara Municipal de Águeda, com os pelouros da área financeira, turismo, desporto e promoção do concelho, tendo exercido durante oito anos o cargo de chefe de gabinete da presidência da Câmara Municipal de Águeda.
Foi uma decisão difícil, mas não era possível continuar sem uma equipa forte e conhecedora da organização do funcionamento do município. Depois de tudo o que aconteceu, só restava este caminho.

P> O que vai fazer caso o PS lhe retire a confiança política ou o presidente da câmara os pelouros?
R> O que o PS vai fazer não sei, mas tenho a certeza que Gil Nadais não pretende retirar quaisquer pelouros aos seus vereadores. Continua a existir confiança na equipa, nada mudou nesse sentido. Temos trabalho para fazer e projetos para concluir e Águeda não pode ficar parada por questões de política ou de politiquices.

“Ainda fui aconselhado pela Federação do partido a fazer uma nova eleição”

P> O processo para a escolha do candidato do PS à câmara municipal foi liderado por si, enquanto presidente da comissão política concelhia. Se fosse hoje, teria feito as coisas da mesma maneira?
R> Obviamente que não! Teria interrompido o “jogo político” e talvez as coisas tivessem tido outro desfecho, mas o passado não pode ser mudado e o melhor é seguir em frente.

P> Se o processo foi correto, como afirmou publicamente, e até foi conduzido por si, o que o levou a não aceitar a decisão e a escolha feita pela concelhia?
R> Repare, ainda fui aconselhado pela Federação do partido a fazer uma nova eleição na comissão política para que fosse possível alterar o resultado, mas como presidente do PS de Águeda, sempre aceitei as decisões da comissão política e, desta vez, não poderia ter sido diferente.
A comissão política que foi criada por mim não estava comigo e se decidiram seguir um caminho diferente só me restava afastar e deixar o PS para poderem seguir o seu caminho.

“Soube pelos jornais que tinha perdido um amigo”

P> Paulo Seara afirmou que sai com uma mágoa de todo este processo, que foi perder o amigo Edson Santos. Qual é a sua? Sai com alguma mágoa deste processo de escolha do candidato?
R> Soube pelos jornais que tinha perdido um amigo… Lamento isso e acredito, cada vez mais, que na política pode valer mesmo tudo… Mas, em termos políticos, tenho pena de não ter conseguido unir os candidatos em prol de um único projeto Socialista.

“As declarações de Gil Nadais sempre foram claras no sentido de não apoiar Paulo Seara”

Edson Santos

Edson Santos

P> Um dos argumentos da Lista Independente é que se candidata para continuar a obra da atual equipa liderada por Gil Nadais, no entanto, e apesar de nunca o ter afirmado publicamente, é sabido que a escolha do atual presidente da câmara recaiu em Francisco Vitorino para seu sucessor, como lembrava Paulo Seara na entrevista que recentemente concedeu ao nosso jornal…
R> As declarações públicas de Gil Nadais sempre foram bem claras no sentido de não apoiar Paulo Seara a candidato do PS à Câmara Municipal, e de que qualquer um dos outros dois, Jorge Almeida ou Francisco Vitorino, teriam o seu apoio.

P> É verdade que disse na comissão política concelhia que Jorge Almeida nunca seria o candidato do PS?
R> E pelos vistos estava certo… Há muitos meses que os 13 elementos da comissão política já tinham decidido o seu candidato, só se andou a perder tempo e a sujeitar Jorge Almeida e Francisco Vitorino a uma exposição desnecessária.

P> Quem esteve mal neste processo, na sua opinião?
R> Todos. Mas como presidente da concelhia assumo que fui o grande responsável.

P> Acha que o eleitorado e os aguedenses veem com bons olhos a saída dos vereadores do PS depois de ter sido votado outro candidato à câmara?
R> Isso veremos em outubro… As pessoas conhecem-nos, conhecem o nosso trabalho e a nossa forma de estar. Acertámos muitas vezes sem dúvida. Somos nós e o nosso trabalho, quem tem vindo a tornar Águeda no que hoje quase todos reconhecem. Um concelho muito diferente, dinâmico, empreendedor, na linha da frente, reconhecido num trabalho de excelência, sendo o exemplo que quase todos querem seguir. É preciso consolidar esse trabalho, que nos merece todo o respeito pelo esforço e empenho que lhe dedicamos, e pela certeza de que é verdadeiramente o caminho certo. Estou certo que os aguedenses também estão bem certos disso.

“A Lista Independente não surge para nos mantermos no poder”

P> O que motivou, afinal, o aparecimento da Lista Independente. O que vos motiva a avançar?
R> Existe um movimento cívico que acredita que só com o aparecimento desta lista independente está garantida a continuidade do trabalho realizado pelo executivo liderado por Gil Nadais, mantendo Águeda como uma referência a nível nacional e internacional, como um exemplo em áreas como a gestão autárquica, a educação, o desporto, a cultura e o turismo. Se aparece uma lista independente é porque existe espaço político para isso. São muitos os militantes e simpatizantes do PS e PSD que não se reveem no candidato apresentado pelo seu partido.

P> Mas Paulo Seara assume-se agora como o continuador desse trabalho…
R> Não têm outros argumentos. Foram repetidamente a oposição que mais sentimos em muitas ocasiões. A partir de certa altura, criticar e afrontar o presidente da câmara passou a ser a melhor forma de ganhar estatuto no interior da concelhia. E isso aconteceu também, publicamente, inclusive na Assembleia Municipal. Mas não me espanta que agora passem a defender o Agitágueda, o Aproximar Educação e talvez até o Pai Natal…

P> Há quem defenda que a Lista Independente surge para que os vereadores possam manter o seu lugar na câmara?
R> Se assim fosse, não acha que teria aceitado ser número 2 do Paulo Seara?, que me convidou para integrar a sua lista… Obviamente que a Lista Independente não surge para nos mantermos no “poder pelo poder”. Trata-se de um projeto político sério que visa assegurar que a câmara se manterá nos mesmos trilhos no futuro e que o bom trabalho que temos desenvolvido terá continuidade.

P> Porque é que Paulo Seara não é um bom candidato à câmara?
R> Numa das tentativas que fiz para criar um projeto único, convidei Paulo Seara para vereador e ele não aceitou. Respondeu preferir voltar a ser candidato a presidente de junta. Tenho uma certeza, gerir a Junta de Águeda é uma coisa, gerir a Câmara de Águeda é outra bem diferente…
Por vezes, sobretudo quando as organizações se mostram debilitadas, acredito que temos verdadeiramente que mudar. Mas nesta altura em que a Câmara Municipal mostra um desempenho notável a todos os níveis, organizacionais, financeiros e de obra em curso, fará sentido mudar completamente a equipa?!…

P> Sente que, de alguma forma, foi quem saiu mais fragilizado deste processo?
R> Este processo fragilizou todo o PS.

ISABEL GOMES MOREIRA
(entrevista publicada na edição impressa e e-paper de 19 de abril de 2017)
Região de Águeda, edição de 19 de abril de 2017

Região de Águeda, edição de 19 de abril de 2017

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