Ténis: “Trabalho para que tenhamos um campeão nacional” – Fernando Vilela

Fernando Vilela com os três mais recentes campeões regionais do Clube Ténis de Águeda

Fernando Vilela, treinador do Clube de Ténis de Águeda (CTA), revela que está a trabalhar com o objetivo de formar um tenista campeão nacional. Em entrevista ao RA, fala da parceria com a Escola Secundária Adolfo Portela e aponta o verão como altura mais crítica para a prática do ténis no clube

P> Como é trabalhar no Clube de Ténis de Águeda?
R> Não posso ter razão de queixa. Se estou aqui há 25 anos é porque me sinto acarinhado, respeitado, porque as pessoas confiam em mim e me deixam desenvolver em pleno o meu trabalho. O que faço aqui não é só dar aulas de ténis, vivo este desporto e faço o meu trabalho com paixão. Eu sou do Porto mas quando vim para aqui apaixonei-me por esta cidade e pelas pessoas que me acolheram.

P> Qual é o resultado da parceria que o Clube de Ténis de Águeda tem com a Escola Secundária Adolfo Portela?
R> É um resultado positivo. Foi um projeto em que fui desafiado pelo meu amigo Rui Oliveira, entrando no desporto escolar, visto que a escola é das poucas que tem campo de ténis. Já fizemos uma ação de ténis escolar creditada pela Federação Portuguesa de Ténis, foram dois fins de semana intensivos. O propósito da parceria é preparar os alunos da escola e incentiva-los para o ténis e fazer com que eles representem da melhor forma possível esta cidade e este desporto.

TÉNIS EXIGE TRABALHO E SACRIFÍCIO

P> Cláudio Castro Almeida tem ganho várias provas. Até onde é que ele pode chegar?
R> O Cláudio é efetivamente um miúdo com muito talento, mas para a idade que ele tem ainda é muito cedo para eu estar a dizer até onde é que ele pode chegar. Tudo depende da forma como ele encare o futuro. O ténis é, ao contrário do que as pessoas pensam, um desporto muito duro. É preciso muito trabalho, espírito de sacrifício… Ele é muito bom e tem todas as qualidades, como disse tudo depende dele.

P> Existe algum atleta em condições de obter resultados semelhantes?
R> Existem vários… A Laura Silva, a Marta Fernandes, a Marta Simões, o David, o Diogo Quintas, o Rodrigo Almeida… todos eles têm representado muito bem o clube e têm obtido resultados fantásticos! Mas quero deixar aqui bem claro que todos os atletas são importantes; mesmo aqueles que praticam desporto de lazer são muito importantes para o clube.

P> Alguns atletas, depois dos escalões de sub-14 e de sub-16 abandonam o ténis. Porquê?
R> Sim, mais no Sub-16. Isto acontece porque a responsabilidade estudantil começa a sobrepor-se ao trabalho rigoroso que o ténis exige. Os miúdos começam a preocupar-se mais com os estudos; existem alguns que conseguem conciliar muito bem as duas coisas, mas esses são um número muito reduzido. Eles precisam de treinar duas horas de ténis por dia para estar a um bom nível.

TEMPERATURAS  NO VERÃO SÃO UM PROBLEMA

P> O clube tem aumentado ou diminuído o número de atletas?
R> Sempre tivemos uma regularidade e essa sempre foi a nossa aposta. Nunca tivemos um ano com muitos alunos e no ano a seguir poucos, isso nunca aconteceu. O nosso patamar anda ali perto dos 60 praticantes. Existe sim um problema no verão, pois temos aqui temperaturas de 30 graus às duas da tarde, o que dificulta os trabalhos e muitos deles chegam a interromper a sua atividade tenista. Sessenta por cento dos alunos da escola chegam ao início do mês de julho, deixam de treinar e só voltam a jogar a partir de outubro.

P> Quais são os objetivos gerais do seu trabalho desenvolvido aqui?
R> Todos os treinos tento melhorar um bocadinho, só assim é que eu também me sinto ativo. Agora não nego que gostava de ter um campeão nacional; aliás, estou a lutar por isso. É um trabalho muito difícil, feroz e não vou garantir nada, mas neste momento estou a trabalhar para que um dia destes tenhamos um campeão nacional neste clube. Este ano pretendo também trazer para Águeda alguns títulos de interclubes.

LOCALIZAÇÃO DO COMPLEXO É  UMA DESVANTAGEM

P> Qual é a maior desvantagem deste clube?
R> As nossas instalações são excelentes mas, para mim, a principal desvantagem é a localização. Um miúdo de 12 anos não pode vir de bicicleta para aqui, os meninos dependem dos pais para vir para os treinos, não tenho hipótese que eles saiam da escola e venham diretos se não forem os pais a trazê-los. Eles e os pais têm que “jogar” com os horários uns dos outros, para os trazer para cá, o que é complicado pois muitos treinos começam às 14 horas.

P> O que precisava para tornar este clube ainda mais forte?
R> Precisava de uma piscina para ter soluções para o verão e gostava de ter um dois campos de padel, pois é uma atividade que está em expansão. Acho que vinha fortalecer mais o clube. Se me “dessem isso”, este seria sem dúvida o melhor clube pois com as instalações e com o corpo humano que já temos, isto “virava ao contrário”, no bom sentido. A mim custa-me chegar aqui no mês de agosto e ver este clube vazio.

JORGE PEREIRA
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