Todo-o-Terreno@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

Alberto Marques

O assunto de Águeda que trago a este artigo poderá não ser o mais original, e acaba por ser até recorrente ao longo dos anos. Mas isso não lhe retira qualquer importância, antes pelo contrário. É um problema que não só persiste, como se vai agravando à medida que os anos passam. Refiro-me concretamente ao estado das estradas e da rede viária do concelho.

Por mais que a Câmara Municipal continue – e bem – a publicar fotos de algumas repavimentações, quase todas inevitáveis, no seguimento de intervenções de água ou saneamento, e por mais que insista que “agora é vai ser”, pois incluiu uma verba um pouco mais relevante para este efeito no Orçamento, a verdade é que os munícipes poucas melhorias vão sentindo nas principais vias do concelho. Ainda que insista em desvalorizar a obra dos executivos anteriores, que dotaram o concelho de centenas de quilómetros de vias rodoviárias, bem podiam – ao menos – cuidar da sua manutenção…
Não querendo alongar-me muito, até porque este assunto é tão evidente e recorrente que quase nem precisaria de qualquer intervenção, gostaria de mencionar – telegraficamente – algumas situações que me parecem mais prementes:
Primeiro, e no que respeita às tais repavimentações decorrentes de intervenções recentes, acho escandalosa a forma como algumas destas ruas e estradas ficam após a conclusão dos trabalhos, começando a ver-se e a sentir-se o péssimo trabalho que as empresas levam a cabo. Se nos primeiros dias tudo parece bem, ao fim de poucas semanas os pisos começam a ceder, e conseguimos sentir todos os “recortes” e “degraus”.
Compreendo que a autarquia não tenha total liberdade na escolha dos empreiteiros que ganham estes concursos, mas presumo que possa exercer uma posição muito mais forte quando recebe a conclusão dos trabalhos. Ou não? E quem é responsável pela qualidade dos trabalhos, a AdRA ou a Câmara? Mesmo que seja a AdRA, a Câmara não pode rejeitar serviços mal executados?
Depois, uma referência às zonas industriais, ou espaços industriais (chamem-lhe o que quiserem).
Apesar de uma ou outra excepção (como a chamada “Estrada dos Marcos”, por exemplo), continua o total desprezo por outras zonas onde existem muitas empresas com acesso que mais parecem picadas africanas. Veja-se o exemplo na Giesteira, onde não faltará muito para o único acesso a algumas empresas ter de ser feito em viaturas todo-o-terreno…
É uma vergonha.
Aquelas empresas pagam impostos como as outras, e esta ideia peregrina de resumir o investimento nos espaços industriais ao Parque do Casarão, demonstra uma tremenda insensibilidade da autarquia para com os empresários que vão criando e mantendo empregos no nosso concelho.
Uma outra abordagem ao estado das estradas tem a ver com a zona serrana, esse belíssimo “cliché” que fica bem em todos os panfletos turísticos, mas que precisa de ser muito mais do que um “cliché”. Por mais que a autarquia acene com “auto-estradas da informação” ou com a épica chegada da banda larga às freguesias serranas, o que os munícipes precisam mesmo é de acessos condignos.
E de respeito.
Se subirmos a serra pela EN.230, em direcção ao Caramulo, sentimos uma diferença colossal no piso de rodagem, para muito melhor, assim que transpomos a placa de divisão de distritos – e concelhos – deixando Águeda e entrando em Tondela;
O mesmo se passa se formos pelo lado de Agadão, rumo ao Freimoninho, com a agravante de que a zona serrana da imensa Freguesia de São João do Monte, concelho de Tondela, dispõe actualmente de uma rede de estradas de excelência, recente, e em perfeitas condições.
Subindo pelo lado do Préstimo, ao deixarmos a belíssima Urgueira – e os buracos – deparamo-nos com um macio tapete do lado de Oliveira de Frades.
E é isto. Subamos a serra pelas três principais vias rodoviárias, e logo veremos o enorme contraste na qualidade dos pisos das estradas.
Num registo diferente, mais próximo da cidade, gostaria de referir o estado lastimoso do troço da Estrada Nacional Nº1 que atravessa o nosso concelho. Compreendo que se trate de uma competência da Estradas de Portugal e que a autarquia pouco possa fazer neste âmbito, mas não tenho visto nem sentido grande empenho da Câmara Municipal no sentido de forçar a EP a cumprir os mínimos da decência.
Muito mais haveria a dizer sobre o lastimável estado das estradas do concelho, mas vou terminar com uma última referência, esta em pleno centro da cidade.
Como é possível que estejam no estado em que estão as ruas Escola Central de Sargentos e do Outeiro, que ligam a zona da Universidade aos Correios?
Como é possível manter, há anos, tantos buracos, pedras soltas e levantadas, remendos, regos, e autênticas crateras, no único acesso ao único hotel da cidade? E à Biblioteca Municipal? E ao Fórum da Juventude? E até aos Correios?
É este o cartão-de-visita que a nossa “Smart City” tem para oferecer a quem nos visita?
Para cúmulo da desgraça, aquelas ruas não costumam ter os chapéus coloridos do Agitágueda, pelo que os utentes e turistas não poderão distrair-se da triste realidade olhando para cima…
intervenções que urge decidir, tanto em elementos já degradados, como em clamorosos erros de planeamento e concepção.
Se esta é a primeira “rendição às evidências”, muito bem, pois nunca é tarde para dar a mão à palmatória…
Se é um caso isolado, perspectiva-se a continuação dos aborrecimentos e constrangimentos para os aguedenses.

(*) – Empresário. Membro da Assembleia Municipal de Águeda (PSD). Colaborador do Região de Águeda

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