Transformar Vale Domingos em aldeia turística

Um grupo de voluntários do projeto Vale Domingos: ao parque botânico já em execução junta-se agora o parque biológico

Transformar Vale Domingos em aldeia turística! Este é o objetivo de um movimento, de cariz comunitário, que nasceu a partir da ideia de construir um parque botânico que mudasse o paradigma do lugar. Entrar para o guiness como a capital mundial das magnólias (venceu o orçamento participativo nacional), acabar com muros, fazer trilho pelo futuro parque botânico, aproveitar o bairro social para alojamento turístico e desenvolver atividades inclusivas são ideias trabalhadas que, a concretizarem-se, transformarão Vale Domingos num exemplo, e caso de estudo, à escala mundial

O parque botânico de Vale Domingos tem oito anos de vida. Nasceu da vontade em unir a população em torno de um projeto coletivo e de transformar o paradigma do lugar, às portas da cidade mas com estigmas que urgia resolver.
No fundo, o parque é um projeto ambiental com objetivos de índole social, que pode unir, valorizar e afirmar a comunidade de Vale Domingos. O local é o adequado: à entrada do lugar, quem vem da cidade, e garante centralidade. Quando o parque botânico estiver no patamar que Vale Domingos ambiciona uma enorme mancha verde receberá os visitantes.

MENOS CRIMINALIDADE E VANDALISMO

Ali, num espaço de 1,1 hectares, já foram movimentadas terras, plantadas árvores e investidos 125 mil euros provenientes de dois projetos vencedores do orçamento participativo municipal: para iluminação, caminhos e escadas, sustentação de terras, bancos e prado.
Houve também muito trabalho voluntário, juntando a comunidade local, incluindo a de etnia cigana, que se tem envolvido no projeto com um evidente sentimento de pertença. O trabalho voluntário prestado por pessoas de fora do lugar “tem vindo a aumentar”. Ricardo Pereira, que vem dedicando muito de si ao projeto, não esconde a satisfação e até orgulho. “Represento um grupo de moradores que sempre acreditou e esteve disponível”, ressalvou, para considerar que “a maior parte da comunidade está sensibilizada”.
O balanço “é positivo”, pois “a criminalidade diminuiu e o vandalismo, que não se notava só na terra mas em todo o percurso de Vale Domingos a Águeda, praticamente desapareceu”. Envolver a comunidade, e em especial os mais novos, continua a ser tarefa essencial.
Segundo Ricardo Pereira, residente no lugar e empresário, “hoje as pessoas começam a ter noção do que está ali porque deu trabalho e elas próprias estão lá”.

ALDEIA TURÍSTICA ENVOLVE  MORADORES

A ideia é desenvolver o parque botânico para que possa receber visitas; mas, há mais. Há a ambição de dar amplitude ao lugar, transformando-o numa aldeia turística.
Vale Domingos venceu o orçamento participativo nacional e em breve avançará com a intervenção prevista na candidatura mais votada, no valor de 200 mil euros, verba que está na posse do departamento do centro do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, com sede em Viseu, que deverá ser a entidade parceira na concretização do investimento.
Esta semana deverá decorrer uma reunião para “articular” os procedimentos no desenvolvimento do projeto. A intervenção, a realizar durante o ano, visa transformar o parque botânico e Vale Domingos na capital mundial das magnólias, procurando inscrevê-la no livro dos recordes do Guiness.
As magnólias serão plantadas no parque botânico e nos jardins dos moradores que aderirem. O projeto prevê que Vale Domingos se transforme também numa aldeia sem muros na frente das casas, com a ajuda da “plantação intensiva de magnólias”.
A ambição passa por “uniformizar jardins, transformando a aldeia toda em jardim”, sublinha Ricardo Pereira. “Para além de magnólias, vamos ter um grande jardim de orquídeas e de rosas, pórticos de entrada e aposta em arte urbana”.
O conceito vai mais longe, com a introdução do desporto inclusivo, atividades regulares de âmbito cultural e recreativo, jogos reinventados e alojamento para turistas. “Temos a ambição de transformar as casas desabitadas no bairro social em alojamento turístico”, confessa Ricardo Pereira, que já abordou o assunto junto da Câmara Municipal de Águeda. Justifica: “Só assim teremos a oportunidade de requalificar espaços, dando novos horizontes aos locais e atraindo visitantes, acreditando que esta inter-relação vai melhorar a vida das pessoas”.

ARRIBEIRAR COM MOINHOS E  PARQUE BOTÂNICO

Desenvolver o parque botânico é indispensável para que a ambição se concretize. Mas não só. O projeto mais recente é o Arribeirar, o segundo mais votado do orçamento participativo (OP) jovem. Trata-se de aproveitar uma zona da ribeira que liga o Ameal à Giesteira que está a monte. “Vamos iniciar a limpeza e concretizar um trilho de 4 kms, que se iniciará em Águeda e acaba em Vale Domingos”.
A zona da ribeira tem moinhos que serão limpos e reconstruídos. O projeto Vale Domingos espera poder adquirir os terrenos, de 18 mil metros quadrados, para recuperar os moinhos e a envolvente. Para já, com o OP conquistado, além do trabalho no terreno, vai ser feita uma recolha de depoimentos e de imagens para elaboração de um documentário.
Ao parque botânico junta-se assim um parque biológico, com plantação de árvores, frutíferas e plantas, introdução de animais, zonas de contemplação e descanso, nomenclatura didática, abrigo de alfaias agrícolas, etc.
O grande livro do parque, projeto contemplado no recente OP jovem, visa a educação para as ciências, unindo os dois parques. Pretende aproximar pesquisadores, escolas e infantários, comunidade local, população e turismo criativo.

AUGUSTO SEMEDO
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