UA | Saúde sem visão estratégica territorial

O investigador Gonçalo Santinha

As áreas menos desenvolvidas são penalizadas pela “ausência de ‘território” na agenda política de saúde, de acordo com um estudo de Gonçalo Santinha, investigador em ciências sociais da Universidade de Aveiro (UA).

“Os processos de tomada de decisão em saúde assumem predominantemente um carácter essencialmente político e sectorial, o que dificulta a adequada identificação de soluções concretas sobre uma visão conjunta da distribuição dos serviços, de saúde e não só, pelo território e a sua articulação com o modelo de desenvolvimento espacial”, aponta Gonçalo Santinha.
A investigação realizada no departamento de ciências sociais, políticas e do território da UA sublinha que os mecanismos decisórios “encontram-se fortemente centralizados e verticalizados dentro da referida redoma sectorial”. Esta situação, refere o académico, “fomenta o predomínio de medidas reativas e impede o desenvolvimento de visões estratégicas de base territorial para a obtenção de ganhos em saúde”. Ou seja, acrescenta Gonçalo Santinha, “[as decisões] não permitem tirar partido de contextos particulares de interação e de ação coletiva que os territórios proporcionam à escala local e regional”.

PERSPETIVA SIMPLISTA E SEGMENTADA

Gonçalo Santinha revela ainda que predomina uma perspetiva simplista e segmentada sobre a relação saúde/território. “Não se observa uma visão estratégica e de conjunto que alie a ideia de combater as situações problemáticas, como as disparidades de acesso a cuidados de saúde, a uma lógica de valorização territorial como poderia ser a aposta na saúde enquanto suporte de dinamização económica de determinados territórios”, aponta.
O estudo chama também a atenção para a existência de uma perspetiva diferente no que respeita à articulação das políticas de saúde e das políticas de base territorial entre aqueles que exercem a sua atividade em entidades diretamente ligadas ao setor e os restantes agentes. Um cenário que, no entender do investigador, “reforça a ideia de que enquanto as entidades que atuam direta e indiretamente no campo da saúde não forem dotadas de maior conhecimento sobre as potencialidades decorrentes da articulação entre as áreas de intervenção aqui em discussão, dificilmente as visões sectoriais e atomizadas acima referidas serão ultrapassadas”.
A quinta grande conclusão do estudo revela que existe “uma visão predominantemente centrada nos cuidados de saúde por parte de quem atua diretamente no setor”. Um cenário que, “aliado aos poucos recursos financeiros e reduzidas competências no domínio da saúde por parte das outras instituições, conduz a que a integração de ações orientadas para os determinantes de saúde de uma forma global decorra, em grande medida, do voluntarismo e do empenho das lideranças”.

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