Verdades e mentiras das cheias em Águeda

Pluviosidade elevada em Águeda fez subir o nível da água nos rios e provocou derrocadas

A chuva persistente que caiu no início do novo ano inundou o leito de cheia no município de Águeda, com particular incidência na baixa da cidade. As vias rodoviárias construídas em leito de cheia foram interditas à circulação: ligações do campo ao Sardão e a Recardães, estrada do campo entre Oronhe e Espinhel e ligação entre Cabanões e Óis da Ribeira (em obras)

O distrito de Aveiro esteve sob aviso laranja (o segundo mais grave) no que diz respeito a precipitação, devido à previsão, que se confirmou, de chuva persistente e por vezes forte. Relativamente ao vento, o aviso foi amarelo (o terceiro mais grave) pela previsão de rajadas fortes.

A REALIDADE

A inundação do leito de cheia em Águeda, neste início de 2016, confirma que as intervenções – propostas pelo INAG há quase 20 anos, por alturas das duas maiores cheias (entre o Natal de 1995 e janeiro de 2001) de que há memória, ultrapassando a cota então definida – têm o condão de minimizar os efeitos mas dificilmente terminarão com a naturalidade com que existem.
A bacia do Águeda tem particularidades que fazem subir abruptamente o nível das águas. Desde logo por ser pouco extensa, “apertada” entre a montanha e a costa.
As marés influenciam diretamente o caudal do Vouga, que por sua vez implica com o escoamento do Águeda, tornando ainda menos extensa a bacia do rio que banha a cidade.
Na montanha há um problema de reflorestação com o eucaliptal: consome a água que necessita de imediato mas – até porque afeta a biodiversidade circundante – não faz retenção de águas em caso de enxurradas.
Esta problemática, aliás, já foi abordada, com uma adequada visão técnica, em assembleia municipal. Há 20 anos!!! Sinal de que o diagnóstico é célere. Porém, a falta de esclarecimento engana… alimentada por politiquices, pelo “folclore” que agrada aos mirones e pela exploração da notícia que pode virar drama.

AS PROPOSTAS

Das propostas que o INAG fez para Águeda, na sequência de um estudo com duas décadas, foram já concretizados alguns investimentos: a eliminação da “barragem dos Abadinhos” pela então Estradas de Portugal, entre a ponte do Ribeirinho e a EN1, substituída pelo atual viaduto; a limpeza do leito do rio (que deverá ser periódica); o reforço do muro de proteção à cidade; a retirada das pedras da antiga “ponte da rata”, em Eirol, do leito do rio, que faziam represa das águas; e a abertura do canal “bypass” recentemente construído.
O que falta fazer das propostas de então do INAG? O aumento da secção de vazante das pontes de Ois da Ribeira (obras iniciadas mas em atraso) e da EN1  em Águeda(a do “bypass”); e a construção elevada da atual estrada entre o Sardão e o estádio/Borralha, solução preconizada para defender aquele lugar, demasiado vulnerável à subida das águas.
Uma verdade deve ser seriamente assumida: os investimentos podem minorar, nunca terminar com as cheias… em leito de cheia! Se é a Natureza a determinar que assim seja, aos Homens pede-se que sejam inteligentes e responsáveis a lidar com a circunstância.

AUGUSTO SEMEDO
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