Vitivinicultura: Estudos revelam possíveis novos aproveitamentos de resíduos da uva

Resíduos resultantes da vitivinicultura poderão ser utilizados na indústria papeleira ou servir para aplicações idênticas às da cortiça, revelaram estudos desenvolvidos por investigadores da Universidade de Aveiro e do Instituto Politécnico de Viseu.

Os estudos, recentemente concluídos e que custaram mais de 6.400 euros, foram realizados no âmbito de um protocolo celebrado no início de Março entre o Instituto Politécnico de Viseu, a Universidade de Aveiro e o Grupo Tavfer, com sede em Carregal do Sal e que foi a entidade financiadora.

O objectivo foi estudar a composição química do engaço (parte lenhosa do cacho que suporta os bagos da uva) e do folhelho (pele da uva, onde se encontram os pigmentos, os aromas e os taninos) para perceber quais as suas possíveis aplicações.

“Os estudos efectuados são muito promissores”, avançou à Agência Lusa Luísa Paula Valente, do Departamento de Ambiente da Escola Superior de Tecnologia do IPV, que ficou responsável pela gestão do protocolo juntamente com Dmitry Evtyugin, da Universidade de Aveiro.

Segundo Luísa Paula Valente, “os estudos de composição química revelaram que o engaço apresenta fortes potencialidades em aplicações na indústria papeleira e biocompósitos”.

Já no folhelho, “foi verificada a presença de certos compostos com matéria cerosa possuindo aspectos estruturais semelhantes à cortiça, o que permite antever a utilização destes compostos em aplicações semelhantes à cortiça, assim como em produtos biomédicos e biocompósitos”.

Um biocompósito é todo e qualquer compósito que seja biodegradável, independentemente de ser de fontes renováveis ou não.

Luísa Paula Valente explicou que “o engaço é geralmente utilizado em ração para gado, adubo e combustível e o folhelho em adubo e combustível”.

Em Portugal, a gestão destes resíduos assume particular importância uma vez que, segundo dados do Instituto da Vinha e do Vinho, é o quinto país europeu ao nível da produção de vinho (cerca de sete milhões de hectolitros por ano).

“A grande quantidade de subprodutos gerados leva a que seja cada vez mais importante ter em conta os resíduos produzidos, bem como a consequente necessidade de se proceder ao estudo das possíveis reutilizações e aplicações dos mesmos”, defendeu.

A responsável avançou à Lusa que os resultados obtidos “estão a permitir perspectivar, num futuro próximo, a construção de uma estação piloto”, prosseguindo agora os estudos a nível industrial.

Explicou que “a vitivinicultura representa dentro da União Europeia dois por cento de todas as explorações agrícolas, num total de 1,5 milhões, o equivalente em área a 3,4 milhões de hectares”.

“Em 2004 as explorações vitivinícolas representaram 5,4 por cento da produção agrícola da União Europeia, sendo que em Portugal, França e Itália este valor se situou nos 10 por cento da produção agrícola dos respectivos países”, referiu.

Com o objectivo de gerir os resíduos formados pela vitivinicultura, surgiu o relatório da comissão das comunidades europeias de 2006 que previu a aplicação da nova Organização Comum do Mercado (OCM) Vitivinícola a 01 de Agosto de 2008.

“Nesta foram propostas medidas ao nível da protecção do ambiente, fundamentalmente na gestão/valorização dos resíduos, utilização de produtos fitofarmacêuticos e na protecção dos solos quanto à sua erosão e contaminação”, acrescentou.

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