Voando sobre Águas turvas de Portugal, por Santos Silva

Os portugueses ficaram estupefactos esta semana, quando ouviram nos diferentes órgãos de comunicação social, o Sr. Presidente das Águas de Portugal declarar alto e bom som, que não iriam cumprir a recomendação do Governo em reduzir custos, quando questionado sobre a compra de 400 novos automóveis de alta cilindrada, para uso dos Administradores. Acrescentou também que era a Administração quem decidia a compra dos novos automóveis de acordo com a sua prioridade, por isso não cumpria a directiva governamental.

Maior a estupefacção quando no seguimento da entrevista, Dulce Pássaro, para aqueles que não sabem e será maioria dos portugueses, é a ministra do Ambiente de José Sócrates e tutela as Águas de Portugal, declarou em tom seráfico e sobrevoando o problema, que estava atenta à questão, mas não tinha competência para a resolver.

Será assim que o governo consegue a consciência nacional necessária para suportar o apertar do cinto, que nos está a ser imposto? E ao que parece vai continuar… e mais duro ainda.

Todos nós, munícipes do Concelho de Águeda, sentimos no bolso e na conta que agora pagamos à nova empresa que gere o consumo de água, um aumento bem sensível na facturação. Antes tínhamos um interlocutor prestável e pronto para resolver os problemas quer de facturação quer de avarias, era o saudoso Serviço Municipalizado de Águas, que os responsáveis (alguns não concordaram) entregaram de mão beijada a uma Empresa mista, cujos administradores se deslocam em viaturas de alta cilindrada. Já percebemos porque pagamos mais!!! Sabemos hoje que muitos dos nossos políticos locais se  arrependeram da  decisão tomada, e seria diferente se fosse hoje.

Assim, entendemos que Pássaro encolha os ombros e não resolva a questão, quem se trama é sempre o Zé Pagante, cada vez mais depauperado, e ainda por cima confundido porque ninguém atende os seus problemas. A empresa resume-se a um balcão no Centro Comercial São Sebastião, onde todos os dias filas de munícipes esperam atendimento que nunca chega.

 Ao que chegou o serviço municipalizado de águas… se fossem vivos os Senhores Torcato e Senhor Victor Melo, morreriam de síncope cardíaca, por verem tão mal tratado um serviço a que eles dedicaram toda uma vida. Pensamos e defendemos que Serviços de índole social, como este do abastecimento de água, em que as Câmaras gastaram milhões a criarem infraestruturas por todo o Concelho, jamais poderiam ser privatizadas. É fácil perceber porque os Administradores das Águas de Portugal só tenham ao seu serviço BWW classe 7, pois com a papinha feita, só basta facturar.

SANTOS SILVA

colaborador

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