Volta.ao.Mundo@Águeda.pt , por Alberto Marques (*)

Rio Grande do Sul (Brasil), Tampere (Finlândia), Munique (Alemanha), Mérida (Espanha), La Sagra (Espanha), Malmö (Suécia), Estocolmo (Suécia), Friburgo (Alemanha), Bordéus (França), Gateshead (Inglaterra), Glasglow (Escócia), Holanda, Bissau (Guiné-Bissau), Ponferrada (Espanha), Valença (Espanha), Sint-Gillis-Waas (Bélgica), Londres (Inglaterra), Riva del Garda (Itália), Bruxelas – várias visitas – (Bélgica), Jilin (China), Gansú (China), Newark – mais do que uma vez – (Estados Unidos da América), Newcastle (Inglaterra), Barcelona (Espanha), Cracóvia (Polónia)…

 

Não, caro leitor, não se trata de qualquer folheto de uma agência de viagens. Os destinos acima mencionados são apenas alguns dos locais visitados pelo Presidente da Câmara Municipal de Águeda, nessa qualidade, no âmbito da participação ou representação do Município em diversas conferências, congressos, colóquios, workshops, etc… Refira-se que algumas das cidades e países mencionados receberam várias visitas do viajado autarca, como são os casos de Bruxelas ou Newark. Estas viagens estão referenciadas nas informações prestadas pelo Gabinete da Presidência a sucessivas sessões da Assembleia Municipal, e não estarão aqui mencionadas na sua totalidade, pois não disponho, neste momento, de todos os ficheiros recebidos. Para além destas deslocações, também há as tão “badaladas” viagens a Singapura e Malásia, frequentemente referidas pelo Sr. Presidente pelos excelentes exemplos que gostaria de ver transpostos para Águeda, ainda que não saiba se se trataram de viagens pessoais ou oficiais…

 

Não pretendo com este “resumo” pôr em causa a validade e relevância das viagens, e reconheço que nenhum município ganharia coisa nenhuma fechando-se ao Mundo ou limitando-se a olhar para o próprio umbigo. Existem bons exemplos por esse Mundo fora, e é bom que saibamos aprender com os melhores. Agora, parece-me que nos tempos que correm, mais do que nunca, é fundamental garantir a gestão parcimoniosa dos cada vez mais escassos recursos disponíveis, e avaliar criteriosamente a forma como se gasta cada cêntimo do erário público.

 

Como disse – e repito – não ponho em causa a importância das deslocações do Presidente da Câmara, mas entendo que seria muito bom que soubéssemos, de forma clara e precisa, quais os custos e os benefícios das mesmas. Será assim tão difícil – ou incómodo – apresentar um simples relatório de viagem, mencionando os respectivos âmbito, custo, objectivos, potencial interesse para Águeda e, posteriormente, um balanço dos benefícios efectivos decorrentes da viagem?

 

Na última Assembleia Municipal tivemos conhecimento do Relatório da Auditoria no âmbito do Plano de Gestão de Riscos de Corrupção e Infracções Conexas, e ficámos a saber que foi pedido ao Presidente da Câmara “(…) que cada deslocação seja associada com o objectivo da mesma bem como se, à posteriori, tal deslocação produziu alguns efeitos relevantes – concretos – que se tenham traduzido em iniciativas de benefício directo da própria autarquia ou da comunidade municipal?”, e que (citando o relatório), “o Sr. Presidente da Câmara recusou responder alegando que estaria disponível para discutir esse assunto e dar as informações especificamente pedidas, em sede de Assembleia Municipal.”

 

Conhecendo o funcionamento da Assembleia Municipal, os assuntos ali analisados e deliberados, as extensas ordens de trabalhos, as sessões – como a última, por exemplo – que se arrastam até às 3 e meia da manhã, e a forma como o Sr. Presidente tem desvalorizado as questões e pedidos de informação que ali lhe são colocados, temo que esta resposta (remetendo esclarecimentos para a AM) apenas vise manter tudo como está, apelando à imaginação de cada um para descobrir os objectivos e, mais importante, os resultados das “viagens presidenciais”.

 

Não digo, ou sequer insinuo, que o Dr. Gil Nadais corra o Mundo sem objectivos que não sejam em prol do concelho de Águeda; tampouco me preocupa se fica instalado no Hilton ou num hotel de gama média. O progresso e a inovação dificilmente surgirão se nos agarrarmos a comportamentos miserabilistas e compreendo que estas viagens possam ser um investimento válido. Mas parece-me que há certos limites e, acima de tudo, certas práticas, que só ficariam bem ao senhor Presidente. Não gostaria mesmo nada de, um dia destes, ver o meu Presidente de Câmara comparado a um certo Presidente da República com perfil de “globetrotter”, imortalizado numa célebre imagem em calções em cima de uma tartaruga nas paradisíacas Ilhas Seychelles, certamente trabalhando em parcerias e soluções vitais ao futuro do nosso país. Já agora, haverá vias cicláveis em Bora-Bora? Talvez seja melhor ir lá ver isso…

(*) – Membro da Assembleia Municipal de Águeda pelo PSD

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1 comentário;

  1. Alberto Ramos said:

    Com as eleições por perto eles começam a sair da redoma…Com tantas boas coisas feitas no concelho comentar as viagens do presidente é mais importante…
    E já agora deixo uma dica para um artigo de opinião;
    Comentem as contas camarárias do ano passado !!!
    Mas isso não deve interessar…

    Cumprimentos

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